Semana pretende mobilizar população
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Edmara Michetti 
Milton DóriaAlvo principalCrianças participam de oficina ecológica no parque Arthur Thomas: atividades vão continuar o ano todoA conscientização ecológica é o assunto em discussão na Cidade até domingo, durante a Semana do Meio Ambiente. A abertura das atividades foi ontem no Parque Arthur Thomas (zona sul) com apresentação da Banda Municipal, discurso e festa de bexigas verdes soltas por crianças de três escolas públicas e da Guarda Mirim que participaram do lançamento da semana.
Nessa semana vamos despertar toda a população para a importância de se preservar a mata e os rios para que a humanidade não morra junto com o verde, disse o prefeito Antonio Belinati. Citando a poluição de mananciais como o grande problema ambiental do município, o prefeito afirma que a situação, de um modo geral, está boa.
As crianças são o principal alvo da Semana do Meio Ambiente esse ano em Londrina. Várias escolas públicas de 1º grau estarão participando das oficinas ecológicas que começam essa semana e devem continuar por todo o ano. Os alunos terão palestras sobre o tema e desenvolverão atividades com material reciclável.
A partir de agosto, a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) pretende intensificar o programa de educação ambiental através da distribuição de 100 mil kits compostos com fita de vídeo, cartilha para as crianças e para os adultos, jogos e outros materiais sobre ecologia nas escolas públicas. A criança recebe a orientação e leva para casa, envolvendo toda a comunidade, aposta o presidente da AMA, Nelson Takeo Kohatsu.
Ao contrário do prefeito, Kahatsu acredita que o nível de conscientização ecológica em Londrina ainda é muito baixo. Nosso grande problema é a preservação, diz. Ele reclama da destruição do patrimônio público. Todos acham que têm o direito de usar e só o poder público é que deve cuidar. Segundo ele, até mesmo a manutenção da limpeza em frente às casas precisa ser despertada na população.
Enquanto se fala em conscientização ambiental, o Ribeirão Cambezinho, que passa pelo parque Arthur Thomas, palco das festividades de ontem, continua recebendo despejo de esgoto in natura da Sanepar. Os 10% do esgoto que não são tratados na Cidade vão para o Cambezinho. A descarga é feita, segundo o gerente metropolitano da Sanepar, engenheiro Paulo Kishima, nas horas de pico, devido à sobrecarga do sistema de tratamento abaixo do parque.
A solução do problema é cobrada há muito tempo, segundo o presidente da AMA. Ele acredita que a solução venha com a expansão da rede de esgoto local. O raciocínio de Kohatsu é que, com o aumento do volume de esgoto coletado, a Sanepar construa mais uma estação de tratamento. Estamos em cima disso, não vamos descuidar, garantiu Kohatsu.
A ordem de serviço para a expansão da rede de esgoto já foi assinada. O gerente metropolitano da Sanepar confirma que a estação de tratamento deve vir junto com a ampliação da rede coletora. Estamos buscando recursos junto à Caixa Econômica para viabilizar essas obras, disse Kishima.
Toda a bacia do Cambezinho está sendo mapeada por técnicos da AMA para identificar outros focos de poluição do manancial que forma o Lago Igapó. O trabalho começou na administração passada e continua, mas não tem prazo definido para conclusão. Depois de identificados, Kohatsu garante que os poluidores serão autuados e obrigados a solucionar o problema.
O aterro sanitário é outro ponto crítico na situação ambiental de Londrina. A solução definitiva não faz parte da programação da semana e, segundo Kohatsu, deve demorar, no mínimo, mais de um ano.
O aterro, hoje localizado na Água do Limoeiro (zona leste), está com prazo até novembro para ser transferido para outro local. O prazo foi determinado pela Câmara de Vereadores no ano passado. Kohatsu afirma que o prazo deve ser suficiente apenas para a definição da nova área.
A comissão para estudar a localização mais adequada do aterro ainda está sendo formada. A transferência só pode ser feita depois do licenciamento da área pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Segundo Kohatsu, isso demora entre um e dois anos, no mínimo. Mesmo que tivéssemos iniciado os estudos no dia 1º de janeiro não daria tempo porque o trabalho é demorado, alega o presidente da AMA. Vamos solicitar prorrogação desse prazo.
Até a transferência, a AMA deve desenvolver obras de readequação no aterro atual, prolongando a vida útil do chamado Lixão. Kohatsu diz que as obras são de infra-estrutura - drenagens de gases, construção de uma nova lagoa para retenção de chorume - e devem começar o mais breve possível.
Hoje a área está saturada, mas com esse trabalho poderá continuar sendo usada por mais cinco ou seis anos.


