Semana do 'saco cheio' esvazia escolas e divide opiniões
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
''Semana do saco cheio'', ''semana de recesso''. Apesar de diferirem na terminologia, as expressões remetem à mesma cena nas escolas salas vazias, atividades paralisadas e voltam a encontrar dissonância, porém, quanto ao que se fazer enquanto simplesmente não há aulas. Tradição nos cursos pré-vestibulares, a iniciativa encontrou coro também entre as séries iniciais e intermediárias. Contudo, sua aplicabilidade tem suscitado algumas questões entre colégios das redes pública e particular de Londrina, onde o feriado do Dia do Professor (15 de outubro) sofreu uma emenda de três, ou, em alguns casos, sete dias.
Para a secretária municipal de Educação, Carmem Bacaro Sposti, o recesso de quarta a sexta-feira nas 81 escolas da rede não atrapalha o calendário mínimo de 200 dias letivos, como preconiza o Ministério da Educação (MEC). ''Isso está previsto desde janeiro'', diz. ''Para o professor é até bom, pois em outubro ele está esgotado. Mas, se trouxer prejuízo para o aluno, o profissional terá que recuperar'', alertou.
Na escola municipal José Garcia Villar, no Jardim Interlagos (Zona Leste), o diretor Lucas Gonçalves de Souza reconhece que o risco existe. ''Dois dias estavam de bom tamanho. Até as atividades pelo Dia da Criança, na semana passada, acabaram atrapalhando o conteúdo de algumas séries'', exemplificou, citando ainda que alguns alunos são até mais prejudicados que outros. ''Nos dias de folga, quem tem dinheiro viaja. Outros não têm nem para a alimentação e na escola que comem'', comentou.
De acordo com o diretor do Núcleo Regional de Educação (NRE), Rony dos Santos Alves, os 165 mil alunos das 126 escolas da rede sem aulas também nesses três dias serão, na verdade, beneficiados. ''A experiência nos diz que os estudantes voltam às salas até mais animados'', disse, frisando que para o corpo docente a ''semana do saco-cheio'' é ''bastante salutar, pois ele estará descansado''.
Se nas escolas públicas o clima de feriadão dita a regra esta semana, as particulares não apresentam a mesma homogeneidade na decisão. No Colégio Marista, por exemplo, são sete dias de descanso. ''Tivemos duas semanas de férias no mês de julho, em vez de três, e não emendamos nenhum outro feriado, como é comum'', justificou a diretora educacional da instituição, Marize Rufino. O mesmo acontece no Colégio Maxi, que também reduziu uma semana em julho em virtude do grande número de ausências em outubro. ''O calendário fica melhor dividido assim, pois muitas famílias costumam viajar em outubro'', alegou o diretor-pedagógico, Ubiracy D'Andrea. A paralisação só não será completa pois serão oferecidas atividades recreativas e pedagógicas até às quartas-séries.
Questionados quanto a uma provável quebra no ritmo dos pré-vestibulandos (terceiranistas ou alunos de cursinhos) haja vista que se aproximam os principais exames do País , os diretores discordam. ''O desgaste agora é intenso, e eles podem usar esse tempo livre para colocar as lições atrasadas em dia. Até porque, os vestibulares praticamente os privam das festas de fim de ano'', avaliou D'Andrea. Marize concorda. ''Nossos terceiros anos têm aulas em dois períodos, sistematicamente. Um descanso não vai atrapalhá-los'', concluiu.
Por sua vez, a diretora educacional do Colégio Londrinense, Ieda Gomes, é contra. ''Isso incentiva o aluno não ser perseverante. Além do mais, ele tem de estudar, mas precisa do professor para tirar suas dúvidas'', defende. Sobre o vestibular, é taxativa: ''Não se relaxa ou se prepara para essas provas em uma semana, mas durante a vida''.


