Londrina

Arquivo FolhaHora do leiteAmamentação deve ser feita, no mínimo, durante os sete primeiros meses de vida da criançaComeça hoje a Semana Mundial da Amamentação que traz como slogan ‘‘Amamentar é um ato ecológico’’. Até o dia 7, instituições de ensino, clínicas e hospitais da Cidade estarão realizando eventos internos reforçando a importância do aleitamento materno. Neste domingo, a partir das 17 horas, no anfiteatro do Zerão, haverá um show com a participação da banda Champion, e apresentação de grupos teatrais com montagens sobre o tema. O objetivo é sensibilizar a população para a importância do aleitamento materno.
Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Comitê de Aleitamento Materno de Londrina (Calma), mostrou que 46% das crianças menores de um ano no Município têm como alimento o leite materno. Foram ouvidas 702 mães. ‘‘É um índice bom, mas ainda temos muito trabalho pela frente’’, analisa a enfermeira Lilian Poli, do Calma.
A mesma pesquisa constatou que 54% das crianças menores de um ano receberam sua primeira mamadeira com um ano de idade. Criado há dois anos para divulgar técnicas corretas de amamentação e incentivar o aleitamento materno, o Calma tem como maior luta eliminar o preconceito contra a amamentação. Reforçada pela cultura popular, a principal alegação das mães que deixam de amamentar precocemente continua sendo: ‘‘O leite é fraco’’.
Lilian Poli explica que este conceito equivocado é resultado da falta de informação, de apoio da família, comunidade e do próprio sistema de trabalho, que não oferece condições para a mulher amamentar, apesar da Lei. ‘‘Para amamentar é preciso querer e ter consciência da importância nutricional e emocional do ato para a criança. Mas isso não vai adiantar de nada se a mulher não puder contar com o respaldo da família e da comunidade.’’
As mães que amamentam têm que enfrentar diariamente sérias dificuldades. Em casa, cada vez que a criança chora, os avós e tios dizem que é porque ela está com fome e que o leite não está sustentando o bebê. Na rua as pessoas contam casos de crianças que, na sua avaliação, estavam ‘‘morrendo de fome’’ porque a mãe insistia em manter o aleitamento. ‘‘Sem apoio, a mãe começa a ficar insegura e acaba cedendo às pressões para deixar a amamentação. Em geral, essa mãe não sabe que o leite materno oferece à criança, além dos nutrientes, as defesas contra doenças.’’
Para tentar modificar a postura contra o aleitamento, os hospitais da Cidade ampliaram os horários de visita e passaram a orientar também os pais e parentes mais próximos das crianças. A medida, definida em conjunto pelos membros do Calma, visa garantir que a família garanta o apoio que a mãe vai precisar para continuar amamentando.
O desconhecimento das técnicas corretas de amamentação é outro problema. Amamentando de forma errada, a mãe se expõe a ter rachaduras no bico do seio e a criança ingere muito ar. ‘‘Se a mulher sente dor quando amamenta é porque está amamentando errado. Amamentar não dói’’, garante a enfermeira.
Os hospitais da Cidade já mantém sistemas internos próprios para orientar as mães sobre as técnicas corretas de amamentação. Mas Lilian Poli fala da importância de intensificar esses trabalhos e envolver os postos de saúde em uma ação de prevenção contra o desmame no primeiro mês de vida. O aleitamento materno tem de ser mantido, no mínimo, durante os primeiros sete meses de vida.
O Calma afirma: nada é mais ecológico do que o aleitamento materno. A qualquer hora do dia ou da noite o leite está pronto, no ponto e quentinho, na quantidade que o bebê quiser. Não precisa de energia elétrica ou gás - não inunda nem destrói florestas. Não necessita de transporte - economiza combustível e não polui o ar e os oceanos. O leite materno não precisa de embalagens especias, na maioria das vezes não reaproveitáveis e não biodegradáveis. Nem de bicos e mamadeiras feitas de plástico, material que demora milhares de anos para se decompor..
Estes são apenas alguns dos motivos que fazem do aleitamento materno uma atitude ‘‘ecologicamente correta’’. Estas e outras explicações sobre o tema escolhido para a Semana Mundial do Aleitamento Materno vão estar sendo divulgadas pelas instituições da cidade. No domingo, durante o show, a população vai receber folders explicando a vantagem ecológica da amamentação.
A programação da Semana está sendo promovida pelo Comitê de Aleitamento Materno de Londrina (Calma), com o patrocínio da Irmandade Santa Casa de Londrina, Instituto da Mulher, Hospital Evangélico, Unimed, Unopar, Prefeitura de Londrina, Folha de Londrina, Clínica de Imunizações de Londrina e Cartório de Registro Civil 2º Ofício.

mockup