Olhar para os dois lados antes de atravessar. O conselho dos pais não serve mais para os pedestres de hoje em dia. Nos chamados pontos de conflito, os semáforos são a única forma de garantir uma travessia segura para quem anda a pé. Depois da criação do Código Nacional de Trânsito, em 1997, que proíbe a construção de quebra-molas nas cidades, os sinaleiros passaram a ser uma alternativa cada vez mais cobrada pela população. Para o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Batista Bortolotti, porém, a solução não é a ideal para proporcionar redução de velocidade dos veículos.
''O semáforo não tem a função de diminiuir a velocidade, mas distribuir o tráfego em cruzamentos e facilitar as travessias para veículos ou pedestres'', explica Bortolotti. Segundo ele, a melhor forma de reduzir a velocidade em vias rápidas é a construção de rotatórias.
Londrina conta hoje com 203 cruzamentos semaforizados. Atualmente, o Ippul recebe de três a quatro novos pedidos de instalação de sinaleiros por mês. Há 800 requerimentos no órgão, incluindo as solicitações de adequações de geometria, como a construção de rotatórias.
De acordo com a professora Maria Aparecida Virondi Wagner, do Colégio Estadual Paulo Freire, um ponto de conflito na Região Sul é o cruzamento das avenidas Dez de Dezembro e Inglaterra. A maior dificuldade é para os pedestres, devido ao intenso movimento e velocidade dos veículos.
Os pedidos de providências do poder público vêm, pelo menos, desde agosto de 2007. A demora levou Maria Aparecida e outras professoras do colégio a mobilizar os estudantes para cobrar uma solução. Ontem, os alunos fizeram um protesto no local.
Na Zona Leste, o cruzamento da Avenida Celso Garcia Cid com a Rua Catarina de Bora é um exemplo da falta de consciência de alguns motoristas. Apesar de contar com sinalização horizontal e vertical, o local registra acidentes com frequência. Para a faxineira Sirléia dos Santos Gonçalves, 25 anos, a culpa é dos condutores, que passam com ''muita velocidade'' pelas vias.
Proprietário de uma oficina na esquina, Matias Silva, 50, afirma que o abuso maior é por parte dos motoqueiros. ''Eles passam correndo, direto, sem nem olhar para o lado'', critica. De acordo com o Ippul, o volume de tráfego no cruzamento é ''pequeno'' e não justifica a instalação de semáforo.
Nos últimos meses, o cruzamento das ruas Bolívia e Uruguai, na Área Central, transformou-se num dos mais famosos da cidade por causa do excesso de acidentes. Morador da região, o mecânico de manutenção aposentado Antonio Cândido da Silva, 70, contabiliza os desastres: ''Toda semana tem cassetada.'' O local deve ganhar um sinaleiro nos próximos dias.
Para as rotatórias do cruzamento da Maringá com a Castelo Branco e a do Moringão, não há previsão de instalação de semáforos. E o cruzamento da Inglaterra com a Dez de Dezembro deve ganhar uma rotatória. Este, segundo Bortoloti, é apenas um dos cerca de 80 projetos já elaborados pelo Ippul e encaminhados para a CMTU, responsável por tirá-los do papel.
Pedidos -
Os pedidos podem ser feitos diretamente ao Ippul ou através da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ou Câmara de Vereadores. Também chegam pedidos do prefeito e de secretários municipais. Os técnicos do instituto de planejamento ficam responsáveis por visitar os locais e definir se as reivindicações são viáveis.
Outra forma de agilizar o tráfego é investir no sincronismo dos sinais. Hoje, muitos equipamentos são eletromecânicos, o que não permite o controle por computador e a chamada Onda Verde. O trânsito também flui com mais facilidade nas vias onde os semáforos são sequênciais, sistema criado pelo mecânico Divino Bortolotti, falecido irmão do presidente do Ippul.
Segundo o diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, após o recebimento do projeto, o prazo médio para instalação é de 30 a 40 dias. Os próximos cruzamentos contemplados serão o da Avenida Saul Elkind com a Eurico Gaspar Dutra e a Bolívia com Uruguai.
Os equipamentos eletrônicos com ciclo-visual custam cerca de R$ 20 mil. O preço dos fixos fica mais em conta: cerca de R$ 12 mil. Grotti acrescenta que a maior parte dos pedidos encaminhados pelo Ippul são referentes a reforço de sinalização e pintura. E a manutenção dos semáforos existentes custa perto de R$ 60 mil mensais. ''Temos um projeto de reforma completa para modernização dos semáforos da cidade. O custo é de R$ 1,2 milhão'', revela.

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