Cerca de 15 minutos com o carro parado em semáforos e em congestionamentos. Este é o tempo que o motorista londrinense pode perder nos finais de tarde para cruzar a cidade, saindo da Zona Sul e chegando à Zona Norte. Na semana passada, a reportagem da FOLHA percorreu o caminho que muitos trabalhadores fazem diariamente, e constatou que os horários de rush são também um teste de paciência. No total, 30 minutos foram gastos no trajeto. Só metade deste tempo, portanto, foi utilizada com o carro em movimento.
Uma das principais queixas dos motoristas londrinenses é quanto à falta de mais semáforos sincronizados, criando a chamada onda verde. No percurso feito pela reportagem (Avenida Madre Leônia, Higienópolis, JK, 10 de Dezembro, Carlos João Strass), foram 15 sinais vermelhos para nove verdes. Em alguns semáforos, o trânsito flui tão lentamente que o sinal chega a fechar duas vezes antes que o carro consiga atravessar o trecho. Um dos pontos complicados, no horário de maior fluxo, é o cruzamento das avenidas Higienópolis com JK, em frente ao maior colégio público da cidade, o Vicente Rijo.
O motorista de van escolar João Francisco de Menezes faz o trajeto Zona Norte/ Centro quatro vezes por dia, começando às 6h30, e já sabe quais são as ruas mais complicadas, onde precisa reservar uns minutos a mais do seu cronometrado tempo. ''A Rua Mato Grosso é uma delas, porque os semáforos não são sincronizados.'' Menezes define o trânsito de Londrina como ''complicadíssimo'', e entre as causas estão a falta de educação do motorista londrinense (que não respeita seta, por exemplo) e a falta de vias de trânsito rápido. ''A gente tem que aprender a controlar o stress diário'', diz.
Para o vendedor Luís Eduardo Bin, que mora na Zona Norte, o pesadelo do dia é quando chega ao cruzamento da Avenida Saul Elkind com Joaquim de Oliveira Perfeito, no início da noite. Naquele ponto, quem aguarda para cruzar ou entrar na avenida tem que aguardar 1 minuto e 30 segundos e ser rápido quando o sinal abre, porque a luz verde fica acesa só 15 segundos.
Segundo o arquiteto de trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Hirak Ohara, a maior parte dos semáforos da cidade é antiga, do tipo eletromecânica, e aí reside a grande dificuldade de sincronizá-los. ''Dá para programar manualmente, mas se há uma queda de energia ou problema em um deles, descontrola tudo'', explica o arquiteto.
Ohara revela que o Instituto já apresentou à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) um projeto de substituição de todos os equipamentos por sistemas eletroeletrônicos, o que permitiria a operação por uma Central de Controle de Tráfego em Área. Com a implantação do sistema centralizado seria possível, por exemplo, alterar os tempos conforme o fluxo de veículos na via e suprimir os intervalos para passagem de pedestre durante a madrugada.
Só no anel central seriam substituídos 72 controladores, segundo o diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Junior. A verba necessária para a mudança fica entre R$ 600 e R$ 700 mil, e vem sendo pleiteada junto aos governos federal e estadual há cerca de três anos. ''Com o dinheiro disponível, a substituição seria feita em pouco tempo'', garante.
De acordo com a gerente de trânsito do Ippul, Cristiane Biazzono Dutra, dos 200 cruzamentos com semáforo da cidade, 40 (portanto 20%) são eletroeletrônicos e estão instalados nas quatro principais avenidas da cidade: JK, Higienópolis, Maringá e Tiradentes. ''O maior problema hoje é no miolo central, onde estão os semáforos mais antigos da cidade, do tipo eletromecânicos. São ruas com tráfego intenso, que não oferecem a possibilidade de fazer as adaptações necessárias, como implantar o tempo para travessia de pedestre.''
Cristiane confirma que as paradas consomem de 30 a 50% do tempo de percurso do motorista de Londrina. ''Isso é ruim porque além das pessoas perderem um tempo em que poderiam estar produzindo, há maior emissão de poluentes, maior gasto de combustível e mais desgaste dos carros''.

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