A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Cascavel (Semab) embargou, ontem, a rampa de lavagem e notificou a empresa Iguaçu Poços Artesianos, suspeita de ser uma das fontes poluidoras de óleo diesel que contaminou o Rio Cascavel na última terça-feira. A rampa era utilizada para a lavagem das peças de perfuração dos poços que contém óleo e estava ligada às galerias de água pluvial. A empresa fica atrás do posto Pegoraro, principal fonte do vazamento.
O secretário Paulo Carlesso disse que o óleo proveniente da empresa pode não ter chegado ao Rio Cascavel nesse vazamento, mas o local é um dos responsáveis pelos casos isolados de contaminação que frequentemente acontecem no rio. ‘‘Na verdade, independentemente do volume do vazamento, estes poluidores precisam ser barrados’’, completou.
O proprietário da empresa, Jaime Mello, afirma que não existem riscos de estar havendo contaminação com o líquido proveniente da rampa de lavagem. Ele diz que a porção de óleo derramada é muito pequena e que tem documentos emitidos pela prefeitura que garantem a qualidade do serviço.
O diretor da Associação de Defesa e Educação Ambiental de Cascavel (Adea), Marcelo Bresolin, declarou não ter se surpreendido com o vazamento que derramou mais de 8 mil litros de óleo. Ele acrescentou que há muito tempo a entidade vem denunciando a contaminação do lago municipal e dos afluentes do rio, mas que ninguém toma qualquer providência. ‘‘Já fizemos um arrastão para identificar as fontes poluidoras e enviamos o relatório ao IAP e a outros órgãos’’, disse.
Durante uma coletiva realizada ontem na prefeitura, Paulo Carlesso disse que os trabalhos de limpeza do lago municipal continuam, pois em sua margem esquerda existem alguns objetos, como garrafas, que estão tomados pelo óleo. O secretário ressaltou que está sendo formado o Conselho Municipal do Meio Ambiente que será responsável pela formulação da Legislação Ambiental de Cascavel. ‘‘Não existe nenhuma legislação para o meio ambiente, por isso, utilizamos o Código de Posturas que não diz nada a respeito’’, explica.
O chefe da seção de segurança e meio ambiente da Companhia Ipiranga, responsável pelos tanques onde ocorreu o vazamento, João David, disse que está sendo feito um levantamento cuidadoso para apurar os motivos e o local do vazamento. Ele garantiu que enquanto não for garantida a segurança do local, o posto Pegoraro continuará fechado.
Paulo Carlesso disse que ainda hoje a Sanepar, Defesa Civil e Semab vão entregar um relatório com todas as despesas gastas para conter o problema. A Companhia Ipiranga e o proprietário do posto, Euclides Pegoraro, terão que fazer o ressarcimento dos gastos.

mockup