Fiscais da secretaria Municipal do Ambiente (Sema) vão autuar e multar hoje à tarde o responsável por ter construído um dique de contenção que modificou o curso do Ribeirão Cambé, Zona Oeste, no último final de semana. O suspeito do crime ambiental, segundo o assessor do Núcleo de Assuntos Hídricos da Sema, João Batista, é um empresário que possui loteamentos na região.
A multa pode chegar a R$ 30 mil. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) também será comunicado, pois se trata de uma área de preservação ambiental intermunicipal. A interferência no leito do ribeirão, realizada com a construção de um canal de aproximadamente 60 metros de comprimento, um metro de profundidade e um metro de largura, aconteceu no fundo de vale na região da Mata dos Daher, próximo aos Jardins Versalhes e Pinheiros. O ribeirão é o principal formador dos lagos Igapó.
Também foram utilizados sacos de areia, tapumes de madeira e galhos da vegetação local para vedar a passagem de água do ribeirão. As modificações foram percebidas no domingo quando Batista fazia uma inspeção de rotina no Lago Igapó 4. ''Percebi que o rio tinha sido alterado e isso só poderia ter acontecido na nascente'', contou. O assessor seguiu por uma trilha que dá na nascente do rio e acabou encontrando o dique de contenção, mas não localizou ninguém no local.
Ele considerou a intervenção como crime ambiental e chegou a registrar, no mesmo dia, um boletim de ocorrência na Polícia Civil, para que fosse apurado o responsável. Batista disse ainda que continuou monitorando a região e, ontem, quando passou novamente pelo lugar, havia duas pessoas reconstruindo o dique que tinha sido destruído pela chuva do domingo à noite. ''Foi muita audácia. Eles tiveram a capacidade de refazer o trabalho que tinha sido destruído, mas acabei pegando os dois em flagrante'', informou.
Segundo Batista, os rapazes que faziam o trabalho disseram que eram funcionários de um empresário, dono de loteamentos na região. O canal era feito apenas com pás e picaretas. ''Agora ficou mais fácil pois sabemos quem foi o responsável. Só não sabemos o motivo exato que o levou a cometer esse crime'', afirmou.
De acordo com o assessor da Sema, como a intervenção foi registrada a tempo, não houve grandes danos ambientais. Na avaliação dele, no entanto, a mudança de percurso do rio poderia ter causado graves problemas erosivos, alagado a região e causado impactos sobre a fauna e a flora da região.
A construção do canal para mudar o percurso do rio não foi o único crime ambiental registrado nesse feriado de Carnaval. Vândalos quebraram dezenas de mudas de árvores plantadas ao longo da avenida Leste-Oeste (Zona Oeste).

mockup