O que vale mais? A questão da acessibilidade ou a preservação do meio ambiente? Para os ambientalistas, provavelmente a segunda opção é a correta. Já para quem precisa circular pelas calçadas sem obstáculos, a necessidade exige a primeira opção. Com isso, árvores sadias, plantadas há décadas, estão sendo erradicadas com autorização da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) sob o argumento de que a legislação municipal determina que as calçadas precisam ser livres de obstáculos, facilitando o acesso de cadeirantes e demais pessoas com deficiência física.
No último domingo, a equipe da FOLHA flagrou duas grevilhas (ou grevílea robusta) com mais de 40 anos de existência sendo erradicadas de uma calçada da Avenida JK. Segundo informações da Sema, uma das árvores estava oferecendo risco às pessoas por estar morta. Já a outra foi cortada por conta da acessibilidade.
As grevilhas são árvores exóticas que atingem entre 18 e 30 metros de altura. Mas, segundo o secretário do Ambiente, Gerson da Silva, não é por ser exótica que a árvore foi retirada. ''Elas possuem raízes muito grandes e hoje em dia as pessoas já não têm feito um calçamento adequado para esse tipo de árvore. Nesse caso, o comerciante se comprometeu a arrancar o toco, arrumar o calçamento e plantar duas novas árvores, que no caso daquela região deve ser um ipê branco'', comentou.
Na Secretaria do Ambiente existem pelo menos 2,3 mil solicitações de cortes. O técnico da Sema Gerson Galdino explicou que nem todos os pedidos são concedidos e que a prioridade é para as árvores mortas ou podres. ''Quando o problema é com a calçada, deixamos para arrancar em último caso, mas realmente existe a lei que exige mais acessibilidade aos cadeirantes'', disse.
Ainda segundo Galdino, a Sema só prioriza a retirada dos casos mais graves. Nas demais solicitações, como foi o caso das grevilhas da Avenida JK, o comerciante é quem paga pelo serviço. ''Depois que a pessoa solicita, leva cerca de 30 a 60 dias para avaliarmos as condições da árvore, mas a retirada mesmo só acontece de acordo com a demanda. Se a pessoa tiver muita pressa, ela mesmo tem que arcar com o trabalho'', afirmou.

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