Sema retira árvores plantadas na Zona Sul
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terça-feira, 24 de abril de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
As 24 mudas de árvores plantadas no último final de semana na praça do Jardim Alcântara (Zona Sul de Londrina) foram retiradas na segunda-feira pela manhã, por funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). As espécies foram plantadas por crianças de uma escola pública de Cambé, em uma iniciativa intitulada ''Semeando Cidadania'', da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados (OAB), em Londrina.
''As mudas foram retiradas porque estavam inadequadas. Primeiro porque a praça está em litígio, portanto ela não é pública, segundo porque eram espécies impróprias para o local'', explicou o secretário Gerson da Silva. Segundo afirma, as árvores retiradas foram recolocadas em outra área do próprio bairro e algumas levadas para a Sema, pois se tratavam de espécies exóticas, que são proibidas de plantio em áreas ''públicas''. ''Tinha algumas da espécie pinus, que não deve ser plantada. Vamos notificar os responsáveis pelo plantio para que retirem as mudas no viveiro da Sema e recomendar que não plantem em qualquer outra área pública''.
A presidente da Associação dos Moradores do Vale do Reno e Alcântara, Sueli Monteiro, disse estar decepcionada. ''Ficamos um mês para mobilizar os moradores, as crianças, e em menos de 24 horas eles vêm aqui e arrancam tudo o que fizemos. Por que não nos avisaram antes? Isso me parece briga política, porque querem nos tirar a única praça do bairro e nós não vamos deixar''. A praça está sob litígio, pois foi doada pela prefeitura em troca de um terreno que liberaria a obra da Avenida Ayrton Senna. Entretanto, os moradores entraram com uma ação civil pública para reverter a doação.
Para o advogado e membro da Ong Meio Ambiente Equilibrado (MAE) - uma das entidades parceiras na iniciativa da OAB -, Carlos Levy, a ação da Sema foi inadequada. ''É como um secretário de Ação Social impedir uma pessoa em necessidade de receber um prato de comida doado por alguém que quer ajudar'', resume.
O biólogo e viveirista Henrique Rocha, que cedeu as mudas para o plantio, informou à FOLHA que tratavam-se apenas de espécies nativas. ''Foram mudas de ipê, sangra d'agua, fumo bravo, jangadeira e paineira. Agora a de pinus (citada pelo secretario municipal) a gente nem produz no viveiro''.


