Sema pede autorização para abater pombas
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A infestação por pombas chegou a níveis tão preocupantes em Londrina que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) está pedindo autorização ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para abater parte das aves. Um dos temores é que elas sejam infectadas e passem a transmitir a temida gripe aviária, já presente em diversos países da Ásia e Europa Oriental. Nesta época o risco aumenta, pois Londrina é rota de aves como o falcão peregrino, que sai do hemisfério norte e vem para o sul em busca de temperaturas mais amenas.
Um levantamento a ser concluído em breve, feito pela Sema em parceria com alunos e professores do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), deve fornecer dados mais precisos sobre a quantidade, hábitos e espécies dos pombos existentes em Londrina, entre outras informações. Já se sabe, por exemplo, que o maior problema é a espécie Zenaida auriculata, mais conhecida por ''amargozinha'', que é menor e têm origem silvestre.
Estima-se que Londrina abrigue cerca de 100 mil aves da espécie, mas não são todas que passam o dia na cidade. ''A maioria vai para o campo à procura de grãos nas lavouras, e só vem à noite para dormir, fugindo dos predadores. Uma minoria responsável por fazer ninhos e procriar fica na cidade'', informa a médica veterinária e assessora da Sema, Anne Christina Hiltel, lembrando que algumas árvores chegam a abrigar cerca de 500 pombos. ''Londrina se transformou em um grande dormitório'', compara.
Anne confirma que há grande probabilidade das aves estarem transmitindo doenças pelas fezes e através dos piolhos, mas é difícil fazer um levantamento porque entre estas patologias, a única que tem registro obrigatório nos hospitais é a toxoplasmose. ''Mesmo assim, há divergências na literatura sobre a sua transmissão pelas pombas''. Segundo a veterinária, as aves são um problema que já começa a tomar proporções preocupantes. ''A reprodução é muito rápida''.
Junto com o pedido de abate, a Sema solicitou orientações para controle da praga. ''Já sabemos que a sibipiruna é uma das árvores prediletas da ave, então ela deverá ser evitada no município. Vamos notificar as pessoas que forem flagradas alimentando as pombas, o que é muito grave'', revela.
Outra medida estudada pela Secretaria é a adoção de abrigos para procriação das pombas, onde os ovos originais seriam trocados por outros artificiais. Mas, de acordo com a veterinária, nos países em que a estratégia foi adotada, os resultados se mostraram mais eficientes com a pomba doméstica (Columbia livia), que não faz ninhos tão espalhados. ''Ainda não descartamos esta medida, mas a quantidade da espécie doméstica é bem menor''.
A técnica do Núcleo de Fauna do Ibama em Curitiba, Cosetti Xavier da Silva, informou que não tem conhecimento do pedido de abate feito pela Sema. ''Vamos analisar. São vários os fatores que levam a pomba a invadir o ambiente urbano'', observa.


