Sema não dá conta de atender demanda por corte de árvores
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2015
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
Londrina - As árvores de Londrina clamam por uma atenção que a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) não dá conta de satisfazer. São mais de 3.400 processos na fila esperando por serviços de poda e corte, alguns abertos pela população ainda em 2009. A secretaria estima que haja cerca de 500 árvores velhas em calçadas e fundos de vale condenadas a cair. Só que a pasta não tem orçamento, maquinário e mão de obra suficientes para solucionar o problema. "Temos quase 3.500 processos abertos de 2009 a 2015. É bastante", reconhece a gerente de áreas verdes da Sema, Alexsandra Siqueira. Uma série de motivos, segundo ela, faz com que essa fila cresça muito e ande pouco. "Nossa equipe é pequena e dependemos de maquinário. Temos alguns caminhões antigos, servidores se aposentando, são vários fatores que fazem com que a fila de processos vá aumentando", afirma.
A Sema dispõe de um orçamento anual de R$ 9 milhões para custeio, manutenção e folha de pagamento dos servidores. Novas contratações de pessoal e investimento em máquinas mais modernas, que ajudariam a dinamizar o trabalho, dependeriam de um acréscimo orçamentário. A pasta não dispõe de equipamentos de soluções florestais importantes para o serviço de poda e erradicação de árvores, como trituradores de galhos e destocadores (que retiram os tocos). Por isso, a demanda é atendida conforme a prioridade. "São 500 árvores com risco iminente de queda em calçadas e fundos de vale. É uma prioridade", observa Alexsandra Siqueira.
Morador há 26 anos na Rua Prudente de Morais, que margeia o Vale do Rubi, no Jardim Hedy (zona oeste), o comerciante aposentado Evaristo dos Santos espera que algumas dessas árvores prioritárias no cronograma de atendimento da Sema sejam as que ficam no vale, bem em frente a sua casa. Uma perdeu os galhos com a força das chuvas que caíram nos últimos dias, restando apenas o tronco. A de trás dela "inclinou" de tal forma que seus galhos ameaçam abraçar os fios de alta tensão dos postes de energia instalados na calçada.
Um dos temores de seu Evaristo é que a queda iminente da árvore deixe a rua toda sem luz e atinja as casas em frente. "O certo é essa árvore ser eliminada, ela não tem resistência, está morta. O risco de cair é grande. Eu nem deixo mais meu carro estacionado aqui na frente", afirma. "Meu medo é um vendaval derrubar essa árvore, e se ela cair vamos ficar sem energia aqui por um bom tempo, porque os fios não vão segurar e pelo menos dois postes vão tombar junto", acrescenta, observando que a árvore onde só restou o tronco estava tomada por formigas. A queda dos galhos chegou a quebrar um dos fios de alta tensão. O morador conta que uma equipe da Copel só retirou os galhos. Um dos postes da rua já está com a lâmpada queimada, o que torna o cenário do entorno do vale naquela área ainda mais sombrio à noite. "Parece um lugar abandonado, com mato tomando o meio-fio e escuro", descreve Evaristo, que tem no Vale do Rubi uma espécie de quintal que ele trata com carinho. Ali, o aposentado já plantou mudas de jatobá, pitanga, manga e até de jaca que viraram belas árvores.
Devido à alta demanda, a Sema pede que as solicitações da população sejam feitas pessoalmente na sede da secretaria, que fica dentro do Parque Arthur Thomas, no Jardim Piza, no horário das 12 às 18 horas, de segunda a sexta-feira. O processo aberto é direcionado à gerência de áreas verdes, que o encaminha a um técnico responsável por fazer uma vistoria na árvore, avaliando as condições fitossanitárias, tipo de copa, espécie e altura. Depois disso é feita a ordem de serviço. "Cada caso é um caso. Nem sempre o corte é alternativa para a árvore, às vezes ela está infestada por cupim e aplicamos o inseticida, às vezes a poda resolve. E também nem toda árvore que tem que ser erradicada apresenta risco de queda, pode acontecer de estar numa calçada intransitável ou porque é inadequada para a arborização urbana", explica a gerente Alexsandra Siqueira.
Há 22 anos rodando pelas ruas da cidade, o taxista José Dias, de 73 anos, garante: "Tem muita árvore velha condenada por aí, com tronco oco, tomada pelo cupim."


