Sema intermediará polêmica do aterro
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quarta-feira, 09 de outubro de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) agendou para esta manhã uma visita ao fundo de vale do Jardim Leonor, zona oeste de Londrina, para tentar acabar com uma polêmica: quem seria o responsável pelo depósito de entulhos no local? Enquanto moradores criticam a falta de estrutura no bairro, a Fiação Bratac, a empresa sediada ao lado do aterro, afirma que o despejo seria irregular.
A discussão teve início na semana passada quando o muro da Bratac cedeu devido ao peso do entulho depositado no fundo de vale. Dias depois, um caminhão da Só Obras Transporte de Entulhos foi apreendido por fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) porque estaria depositando restos de construção no local, considerado área de preservação. Anteontem, o IAP confirmou a aplicação de uma multa no valor de R$ 12 mil contra a empresa. ''Vamos recorrer porque tínhamos autorização da associação de moradores. Se a área é de proteção ambiental, o erro não foi nosso e nem da entidade, mas sim do poder público que cedeu o local à comunidade'', disse um dos donos da Só Obras, Claudio Mendes, referindo-se a um contrado social assinado junto à Associção Unidos Venceremos Juntos aos Moradores e Amigos do Jardim Leonor.
A presidente da entidade, Maria Inês Ribeiro, afirmou ontem que a Só Obras tinha autorização para depositar os entulhos. A associação estava dando continuidade a um projeto de revitalização do local, que inclui um aterro, área de lazer e quadras de esportes. ''Esse terreno foi doado pela prefeitura em 1997. Estamos tentando desenvolver um projeto comunitário, mas a indústria quer briga. Mais uma vez é rico contra o pobre'', criticou Maria Inês, destacando que não estaria conseguindo ''dialogar'' com a diretoria da Bratac.
O supervisor de Patrimônio da indústria de fiação, Rilton Yoshida, negou todas as acusações da moradora, destacando que o aterro estaria sendo feito totalmente sem estrutura. ''Faz meses que estamos alertando as autoridades, tanto que o resultado foi a queda da cerca. A associação chegou a nos procurar para pedir ajuda, mas eu disse que pedi para ver o projeto no papel, coisa que a presidente não tinha'', argumentou Yoshida.
Para o secretário Municipal do Ambiente, João Mendonça, o caso requer uma avaliação detalhada para determinar uma solução que atenda todos os interesses. ''Não são apenas dois, mas sim três lados: a Bratac, a associação e o meio ambiente. Vamos vistoriar o local para tentar definir um equilíbrio entre eles'', disse Mendonça.
Levantamentos do IAP apontam que entre 300 e 400 caminhões de entulhos teriam sido depositados no local.


