A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) quer saber quantos carroceiros existem em Londrina e como vivem os animais que percorrem a cidade levando todo tipo de carga. Para isso, vai começar um trabalho de cadastramento em parceria com o Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que deve incluir também a oferta de palestras abordando assuntos como nutrição, vacinação, controle de carrapatos, maus tratos e legislação.
De acordo com cálculos da veterinária da Secretaria, Anne Christina Hiltel, existem de 200 a 250 carroceiros na cidade. ''Já foi feito um trabalho através dos agentes de saúde e no início deste ano tentamos mobilizar os proprietários de carroças em torno de uma cooperativa ou associação, mas eles não demonstraram motivação para isso'.'' Segundo a veterinária, o objetivo final do projeto é certificar todos os carroceiros, colocar placas nas carroças e, no futuro, só permitir o tráfego daquelas que tiverem registro.
Além da preocupação com os cavalos, Anne lembra que a iniciativa pretende beneficiar as pessoas próximas a estes animais - que ficam sujeitas, por exemplo, à transmissão de doenças - e o meio ambiente. ''Temos um problema muito sério que são os carrapatos'', exemplifica. Outra idéia cogitada pela Sema é estipular horários e definir trajetos permitidos aos carroceiros.
Ela explica que a falta de locais adequados para os cavalos criam outro risco. ''Muitos ficam soltos em praças e terrenos baldios e quando se assustam, saem correndo sem controle, oferecendo sério risco de acidentes'', afirma. Há quase um ano o município contratou os serviços de uma empresa particular, a WJ Apreensão de Animais, que recolhe estes cavalos e os encaminha para um pasto próprio. Nas duas primeiras vezes que isto ocorre o proprietário pode recuperá-lo mediante o pagamento de multa. Na terceira vez, o animal é apreendido e posteriormente destinado a doação para pequenos proprietários. Atualmente são recolhidos, em média, 20 animais por mês no município.
A tentativa de esclarecer os carroceiros sobre as formas corretas de tratar os animais não é nova em Londrina. Durante 15 anos - entre 1990 e 2005 - o curso de Veterinária da UEL desenvolveu o Projeto Carroceiro, com a finalidade de trazer os donos de cavalos para atendimento no Hospital Veterinário (HV) e, durante o atendimento, orientá-los. O estímulo para que os carroceiros recorressem ao hospital era o atendimento subsidiado, de baixo custo.
Há dois anos, de acordo com o coordenador do projeto, professor Peter Reichmann, a iniciativa deixou de fazer sentido pelo pequeno número de atendimentos, que caiu de uma média de 100 ao ano para cerca de 30. Agora, os profissionais da UEL pretendem usar a experiência adquirida no projeto que será desenvolvido em parceria com a Sema.
O professor afirma que os animais utilizados nos serviços de carreto normalmente trabalham muito, comem mal e descansam pouco. ''Como não têm pasto por perto, este cavalos vivem de alimentação precária. Os proprietários tentam remediar, mas existe o pré-conceito de que milho é bom, quando na verdade não resolve. O que a gente tenta mostrar é que a ração, pouca coisa mais cara, é um alimento bem mais completo. Mas é um conceito difícil de mudar.''
Segundo o professor, a maioria dos animais que chega ao Hospital Veterinário apresenta problemas no sistema locomotor causadas por feridas e traumas em membros pela falta de assistência quanto ao uso de ferraduras. Reichmann explica que, sem recursos, os carroceiros não têm como procurar ferreiros especializados e as ferraduras utilizadas são muitas vezes confeccionadas em serralherias, em uma espécie de quebra-galho. ''É como trabalhar um dia inteiro com um sapato de salto agulha de um número menor que o ideal'', compara.

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