Sema fecha fábrica de farinha para ração
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O secretário municipal de Ambiente, Gerson da Silva, suspendeu na tarde de ontem as atividades da Ipê Indústria de Sub-produto Animal, na Zona Sul de Londrina. Acompanhado de vários fiscais, o secretário voltou à empresa depois de autuá-la, há pouco mais de um mês, por provocar um forte mau cheiro na região, que seria causado pelo processamento de penas de frango. A indústria, pertencente ao Grupo Folem, maior produtor do País de farinha para produção de ração animal, também processa ossos e vísceras de suínos.
Além de ficar proibida de processar penas, em outubro a empresa também foi multada em R$ 4 mil pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por irregularidades no licenciamento e problemas com o armazenamento da matéria-prima. Ontem, os diretores que estavam no local quando o secretário e fiscais da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) chegaram, reagiram e disseram que as exigências feitas anteriormente estavam sendo providenciadas. Segundo Silva, porém, a indústria está operando sem licenciamento ambiental e não poderia ter voltado a processar penas sem autorização.
''Fui condescendente até aqui. Já suspendi parcialmente as atividades antes para que dessem entrada no licenciamento. Agora estamos suspendendo as atividades'', informou o secretário. Uma viatura policial chegou a ser chamada para acompanhar a visita.
Um dos proprietários da fábrica, Clóvis Onofre da Silva, disse que a empresa está instalada no local há cerca de dois anos e produz cerca de 100 toneladas por dia de farinha, feita com restos de abatedouros. ''Se fecharem isso aqui, quero ver para onde vai todo este material. Provavelmente irá poluir algum rio por aí.'' Só no final da tarde de ontem chegariam oito caminhões e duas carretas carregados.
O empresário se queixou que tudo o que acontece na região (referindo-se às denúncias de mau cheiro) é culpa da fábrica. ''Admito que um tempo atrás estávamos processando produto fora de padrão, mas o problema foi resolvido. Há mais de 30 dias não tínhamos reclamação. Acho que isso já virou denuncismo.'' Segundo o empresário, porém, ''não existe empresa que não exale mau cheiro e não cause algum impacto ambiental''.
O proprietário afirmou ainda que há outras empresas na região que causam mau cheiro, como frigorífico, estação de tratamento de esgoto, granja, usina de compostagem. ''Mas somos nós que absorvemos tudo''. Ele sugeriu ao secretário que fosse concedido um prazo de 60 ou 90 dias para que a empresa possa se transferir para outro município. ''Estamos presentes em quatro municípios e este é o primeiro que dá problema'', disse outro diretor, Vanderlei Fiorentin.
No início da noite o secretário permitiu que a empresa processasse os caminhões de vísceras que já estavam no local, para não provocar um dano ambiental ainda maior. O carregamento de penas, porém, seria devolvido aos locais de origem. ''De resto, as atividades estão suspensas até que obtenham o licenciamento ambiental'', reafirmou Silva.


