Sema fará controle dos pombos
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terça-feira, 22 de junho de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Difícil andar pelo Calçadão, no Centro de Londrina, e encontrar alguém que não tenha sido alvo do grande número de pombos que rondam praças, ruas e árvores. Da mesma forma é fácil localizar no petit-pavet, em bancos ou monumentos as provas de que nem sempre as aves acertaram a mira. O problema, que há muito gera reclamação da população e, conforme a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), é mais grave no coração da cidade, está prestes a ser solucionado. A promessa é da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) que, em agosto, deve por em prática ações baseadas em experiências realizadas na Alemanha para o manejo controlado das aves.
De acordo com a médica veterinária Anne Christina Hiltel, assessora da Sema e coordenadora da iniciativa, a técnica que será aplicada em Londrina consiste basicamente na construção de viveiros para atrair os pombos. Segundo ela, nos viveiros, os ovos serão substituidos por outros, artificiais. A explicação, segundo Anne, é que não basta tirar os ovos dos ninhos já que isso faria com que as fêmeas botassem outros. Com o ovo falso, isso não aconteceria. ''Atrairemos os animais ao viveiro com alimentos. Como eles defecam onde dormem, isso será feito só lá'', disse.
Antes, porém, é preciso que a Sema faça um levantamento da quantidade edas espécies de pombos existentes em Londrina, para definir as dimensões do pombal. ''Por isso pedimos à população que nos ajude, ligando para informar onde ficam esses pombos, bem como onde há gente que os alimente. Iremos lá e orientaremos a não fazê-lo mais'', comentou, frisando que, na Alemanha, o gesto pode custar uma multa de 5 mil Euros (pouco mais de R$ 19 mil).
Além da limpeza das áreas, outra meta, conforme Anne, é que o manejo controlado evite a ocorrência de doenças transmitidas pelas fezes dos animais, como micoses de pele, salmonelose (em contato com alimentos) e toxoplasmose. ''Não se pode varrer a área defecada, pois o pó que sobe transmite os parasitas. O certo é lavar'', recomendou.
Limpeza que, para a presidente da CMTU, Rosimeiri Suzuki Lima, dá trabalho extra aos funcionários. ''Sempre teve dessa sujeira, mas parece que vem aumentando. É um transtorno'', disse, frisando que o ponto crítico é a Praça Marechal Floriano, ao lado da Catedral.
Transtorno também para os moradores. A pensionista Silvana de Jesus, 28, por exemplo, contou que já foi ''acertada'' na cabeça e que, volta e meia, é ''enfrentada'' pelas pombas. ''A gente está comendo e elas vêm em cima pelas migalhas.'' Já o aposentado José Antunes Freitas, 66, parecia não se importar com as marcas de fezes em volta de onde estava sentado, no Calçadão. ''Já levei delas, mas não ligo. E também não acredito que transmitam doenças, pois nunca vi alguém morrer por causa disso'', concluiu.
Por sua vez, o contador Émerson Carli, 33, relatou que fica ''abismado'' quando vê alguém alimentando os pombos. ''Eles sujam, mas também não dá para matar. Não é a pomba o símbolo da paz?'', questionou. E, para a zeladora Alice Oliveira, 53, símbolo também da coragem. ''Às vezes estou sentada,comendo, e cai cocô na minha cabeça, mas arrisco mesmo assim.''


