Há 12 anos, Domingos Cardoso de Souza percorre diariamente o complexo de lagos Igapó recolhendo lixo. Ele mostra à reportagem parte dos entulhos recolhidos em uma tarde de trabalho. Tem de tudo, até uma carcaça de computador e calotas de carro. ''Quando eu comecei a trabalhar aqui os lagos eram bem mais fundos, alguns pontos tinham mais de dois metros de profundidade. Hoje tem lugar que não dá para passar com o barco e formaram estas ilhas'', revela.
O secretário municipal de Ambiente, Carlos Levy, admite que o assoreamento é um dos problemas causados pela falta de consciência da população e pela erosão, originada, muitas vezes, em obras irregulares. ''Londrina tem uma condição diferenciada, com a maioria dos leitos preservados, o que dá maior consciência à população e facilita a fiscalização. O que é preciso é controlar a poluição por resíduos e a poluição por efluentes (hídrica).''
Segundo Levy, a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) está dando início à fiscalização com pessoal próprio em terrenos e obras, com aplicação de multas. ''Desde o início deste ano também estamos exigindo projetos de gerenciamento de resíduos para fornecer alvarás de obras e, posteriomente, para liberar o 'habite-se', os responsáveis devem prestar contas do que foi feito com os resíduos'', explica. Com estas medidas, segundo o secretário, fica mais fácil identificar as obras irregulares. Para Levy, Londrina tem uma condição boa quanto à conservação dos recursos hídricos, se comparada a outras grandes cidades, mas o que se procura, segundo ele, é a excelência.
A área urbana do município é formada por seis bacias hidrográficas: Jacutinga, Lindóia, Cambé, Limoeiro, Cafezal e Três Bocas. A área total ocupada por estas bacias é de 245,52 km2, enquanto a extensão total dos cursos de água é de 240 km. (S.L.)

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