Polêmica é a melhor palavra para definir a discussão sobre um projeto de arborização realizado pela Secretaria do Meio Ambiente de Londrina (Sema), o qual prevê a erradicação de árvores exóticas da cidade. Enquanto o secretário Gerson da Silva defende a validade do plano de manejo, ambientalistas questionam se tal plano realmente existe.
Conforme o secretário, atendendo a uma reivindicação dos próprios moradores das ruas próximas ao Zerão, na Região Central, que pediram mais iluminação para o local durante uma manifestação, árvores exóticas como santas-bárbaras e goiabeiras foram retiradas do Córrego do Leme anteontem. Na sequência, outras árvores seriam eliminadas na região dos Lagos Igapó I e II, como assinalou Silva.
''As ações incluem a poda e o corte de árvores condenadas'', disse o secretário, informando que os trabalhos estão sendo realizados pela Sema, em parceria com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a Visatec. Segundo ele, nem todas as plantas exóticas serão eliminadas. ''O manejo será feito em todos os fundos de vale, matas e unidades de conservação da cidade'', informou.
Gerson da Silva não soube precisar quantas árvores serão cortadas ao todo, mas afirmou que ''o número de árvores a serem plantadas será muito maior do que as eliminadas''. Entre as plantas escolhidas para repor as áreas verdes de Londrina, o secretário citou ipês roxo e rosa e outras espécies nativas.
Ainda conforme o secretário a espécie exótica que mais se destaca no município é a santa bárbara, ''mas Londrina tem enfrentado também uma infestação de amarelinho''. ''A santa bárbara se prolifera de tal forma e além disso, não tem quem coma as sementes dela, que acabam sendo levadas pelas águas dos rios, infestando as margens.''
''Quando a árvore é velha, tem que ser substituída senão se torna um risco para as pessoas'', completou Silva, ressaltando que as ações de poda e erradicação estão sendo efetuadas obedecendo o rigor técnico determinado por uma portaria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que define quais são as plantas exóticas.
Depois de terminar o corte das árvores no Zerão, os técnicos da Sema fizeram a retirada dos galhos, que serão armazenados no aterro municipal. ''A próxima etapa é o plantio de novas espécies, mas na semana que vem o mesmo trabalho será realizado do outro lado da pista de corrida até chegar no Igapó.''
Segundo Gerson da Silva, o Córrego do Leme ''não será uma floresta. As árvores serão plantadas com espaçamento adequado''. ''Não concordo quando dizem que é preciso plantar primeiro para depois derrubar. Lanço um desafio aos críticos. Quero ver se quem critica hoje terá coragem de criticar a Prefeitura daqui 10 anos, quando as árvores estiverem florescendo.''
Para o advogado Carlos Eduardo Levy, ativista da organização não-governamental (ONG) Meio Ambiente Equilibrado (MAE), a Prefeitura deveria ter apresentado o plano de manejo das árvores à população antes de iniciar os cortes.
''A forma como está sendo feito agride a população. Acredito que seria melhor plantar novas árvores nativas e gradativamente eliminar as exóticas'', sugeriu Levy.
Ainda segundo ele, as espécies exóticas já estão inseridas no contexto urbano. ''Se você contar verá que existem até mais exóticas que nativas.'' Além disso, reforçou o advogado, ''não são apenas santas-bárbaras que estão sendo eliminadas, mas paineiras e figueiras também''.
Para o professor de inglês Guilherme Henrique Costa, que ajudou a plantar árvores no fundo de vale Água Fresca, onde mora, e também próximo ao Lago Norte, a prefeitura gastou muita energia adotando a solução errada para a questão da arborização.
''O poder público corta as árvores para resolver problemas de iluminação, de calçada quebrada, de bosque inseguro e com isso apenas varre a sujeira para debaixo do tapete. Mas para mim, a solução mais rápida é esperar mais três anos até trocar a administração pública.''

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