Sema conclui Mapa de Risco Ambiental
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quarta-feira, 20 de agosto de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Sem motivos para se orgulhar, mais uma vez Londrina vai estar em destaque no mapa do Paraná. Ao lado de Cascavel e adjacências, a região da maior cidade do interior do Estado foi citada ontem pelo secretario estadual Luiz Eduardo Cheida, como uma área ''problemática'' no Mapa de Risco Ambiental, entregue a ele esta semana por uma comissão que coordenou um levantamento nos 20 escritórios regionais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hidrícos (Sema).
As duas regiões preocupam mais o órgão que a Região Metropolitana de Curitiba, área que concentra mais de um quarto da população paranaense e que abriga um dos maiores parques industriais do País. ''Na região metropolitana, os mecanismos de controles estão se mostrando mais eficientes'', justificou Cheida. ''Em Londrina, ao longo do tempo, não se observou a legislação ambiental com o mesmo cuidado''
O mapa foi elaborado em 45 dias com a ajuda do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa). Nele estão contidos 277 pontos no mínimo, 10 pontos por região selecionados de acordo com a situação de fragilidade do ecossistema, bioma, meio físico ou atividade (instalações industriais; aterros sanitários, industriais e tóxicos; depósitos inadequados, irregulares e outros) que possam romper o equilíbrio e causar desastres ambientais. O projeto é pioneiro no Brasil. Apenas São Paulo tem iniciativa semelhante, mas se refere a pontos onde houve um número maior de desastres ambientais.
Segundo o secretário, o mapa deverá ser pormenorizado e''traduzido'' para uma linguagem mais acessível antes de ser divulgado em setembro, através de CD-ROM e do site do governo do Estado na internet. De acordo com Cheida, o mapa fez a Sema ter noção de quanto se deixou em investir em prevenção na área ambiental. ''Com o mapa vamos poupar recursos financeiros, que não precisarão ser gastos para combater os possíveis desastres, e o mais importante: recursos naturais''. Como exemplo, Cheida lembrou do caso de vazamento no Pool de Combustível em Londrina. ''Se houvesse uma atualização da tecnologia e um plano de combate a acidente, o que aconteceu não teria acontecido''.
O levantamento que resultou no mapa descobriu que 26% dos estabelecimentos listados (pequenos e médios) não contam sequer com licenciamento ambiental. ''Vamos começar a multar estas empresas'', garantiu Cheida. Cerca de 60% destes mesmos estabelecimentos não apresentaram um plano de contigência para acidentes. O próximo passo é o monitoramentos das áreas de risco. Os 277 pontos serão avaliados mensalmente por equipes da Sema.
No dia 27, Cheida recebe a ministra da pasta, Marina Silva, em Curitiba, e deve indicar o projeto para ser aplicado nacionalmente. O secretario também deve apresentar o Mapa de Risco na próxima reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente.


