Sema cobra responsabilidade de empresas
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segunda-feira, 07 de julho de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O brasileiro recicla 12% do seu lixo, percentual considerado muito baixo se comparado aos de outros países. De acordo com o coordenador de resíduos sólidos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), Laerty Dudas, as legislações brasileira e paranaense prevêem que a responsabilidade pela destinação final de um produto cabe ao seu fabricante.
É a chamada logística reversa, na qual as empresas devem prever não só o caminho de ida do produto até o mercado, mas também o caminho de volta, para que esse rejeito não seja depositado no meio ambiente. ''Botou a logomarca você é responsável, da geração até o resíduo final'', explica Dudas. Para ele, além de reduzir os danos ambientais, essa prática pode gerar emprego e renda, pois os resíduos que são recolhidos acabam voltando para a cadeia produtiva, dando origem a novos produtos. Um exemplo desse processo é o óleo de fritura usado, que hoje é recolhido em 6 mil pontos no Paraná e encaminhado às indústrias de cosméticos que utilizam o material como base para a fabricação de diversos produtos.
Até o momento, a Sema conta com 210 parceiros da iniciativa privada que estão comprometidos com a logística reversa, mas nem sempre foi assim. Dudas conta que para fazer valer a regra no setor de pneus foi preciso convocar 452 gerentes de concessionárias, que conversaram com seus distribuidores. Estes, por sua vez, pressionaram os fabricantes de pneus a recolherem os seus produtos que já não têm mais serventia. Segundo o coordenador, para que a adesão das empresas tivesse êxito, foi estratégica a parceria com a Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público (MP) estadual. ''Se não ninguém respeita'', avalia.
De acordo com o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), o Brasil gera 140 mil toneladas de resíduos sólidos por dia. Sessenta por cento desse montante corresponde a lixo orgânico, mas o restante - 56 mil toneladas - é formado de materiais que poderiam ser reciclados e reaproveitados pela sociedade. Em Curitiba, o valor estimado de lixo gerado pela construção civil é de 1,8 mil metros cúbicos por dia.
Uma boa alternativa para a destinação final desses entulhos é a reciclagem. Além da consciência limpa, essa prática pode trazer economia para o consumidor. Segundo Marco Guembarovski, diretor comercial da Soliforte, empresa que recicla resíduos da construção civil, o preço dos seus produtos é em média 30% menor do que o seu agregado natural. Com sede em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, a empresa recicla 12 mil metros cúbicos de entulho por mês, gerando o mesmo volume em areia, brita, pedrisco e rachão. Com esses componentes é possível fazer tijolos, reboco, assentamento de paver (um tipo de piso), chapisco e diversos outros materiais. ''Só não faz concreto estrutural'', conta o empresário.


