Sema apreende animais soltos na cidade e multa os donos
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quarta-feira, 02 de março de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Quem tem seu boizinho solto em áreas públicas que trate de prender, que a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) vai apreender os bichos e multar os donos. A farra não é só de bois mas também de mulas e até jegues, incomodando os moradores de vários bairros de Londrina, que têm que dividir o espaço de ruas, praças e fundos de vales com os animais. Rebanho à solta que também pode transmitir doenças através das fezes.
Bem no estilo ''seguuura peão'' e atendendo à portaria interna baixada pela Sema, que entrou em vigor anteontem, ''cowboys urbanos'' entraram em ação, intensificando um trabalho que já era realizado pela secretaria.
''Resolvemos intensificar a fiscalização porque tomamos conhecimento da situação através da matéria da Folha (publicada na semana passada) e, dentro dessa nova visão da secretaria, temos que preservar a comunidade. Não é justo vermos bois na rua e em outras áreas públicas. Não queremos penalizar mais do que a lei determina. Queremos salvaguardar a segurança e evitar acidentes'', aponta o assessor da Sema, Gladiston Gouveia.
Penalizar não, mas educar os donos do rebanho bovino no perímetro urbano são 1,2 mil cabeças cadastradas pela secretaria. Oitenta e nove famílias e 256 pessoas vivem da atividade, vendendo leite para os moradores da região.
A portaria da Sema também determinou o aumento do valor da multa para liberar os bois. Como muita gente só aprende a lição se tiver que enfiar a mão no bolso, quem é dono da boiada solta pagará multa de cinco UFL (Unidade fiscal de Londrina), que equivale a R$ 247,30 na primeira apreensão, conforme o Código de Postura do Município. A reincidência é punida com uma multa mais pesada, subindo para 15 UFL, o que corresponde a R$ 741,90. Na terceira apreensão, o bicho vai para leilão ou será doado.
Já no caso de equinos, a primeira liberação do animal dependerá do pagamento de R$ 20,00. Voltou pela segunda vez para o pasto da empresa terceirizada, que presta serviços para a Sema, o bicho só sai com o pagamento de R$ 50,00. Na terceira apreensão, o animal poderá ser doado. ''Os donos de cavalos têm colaborado, evitando deixar os animais soltos. Porém, os de bois não. Ao prendermos, eles terão que mexer no bolso. Só assim é que muitas pessoas colaboram'', afirma a veterinária da Sema, Anne Christina Hiltel.
Gouveia acrescenta, sem dizer números, que o custo para manter os animais no pasto da empresa contratada é alto. ''Se percebemos que o dono está disposto a recolher o animal, tentamos ver como ficará a questão da multa'', acrescenta o assessor.
Não é apenas o risco de acidentes que a Sema quer evitar com a apreensão de animais soltos. Anne lembra que as fezes dos bichos transmitem verminoses, além de contaminarem o meio ambiente. ''Essas fezes acabam indo para os rios. O ideal seria que fossem tratadas e transformadas em adubos. Os donos desses bois não fazem as vacinações necessárias. Somente se preocupam com a febre aftosa, havendo risco de brucelose e tuberculose, doença que não existe vacina, mas deve ser feito o controle. Já a vacinação de brucelose deve ser feita por veterinários. Um acidente pode contaminar o dono do animal com a doença'', relatou Anne.


