Sem vínculo não há recuperação, aponta ONG
Para a secretária de Assistência Social de Londrina, Maria Luiza Rizotti, o Município está no caminho certo para a recuperação dos adolescentes. Ela acredita que o sucesso de programas municipais voltados a essa parcela da população, como o Viva Vida e a Rede da Cidadania, é um dos fatores responsáveis pela redução no número de reincidentes no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), comparando-se o biênio 2002-2003.
De acordo com as estatísticas do Ciaadi, o índice de reincidência em 2002 chegou a 45%, representando 172 reincidentes entre 376 internos. No ano passado, o mesmo índice caiu para 35%. Maria Luiza também aponta o número de jovens retirados da ''condição de rua'', desde 2001, para afirmar a tese de que o problema foi amenizado. Segundo ela, 206 desses jovens foram inscritos em projetos municipais e muitos voltaram a viver com as famílias. ''A experiência tem nos mostrado que quanto maior o acompanhamento de atenção à família, a reinserção na educação e em outras atividades, menor a chance de reincidência''.
Mas para o coordenador da organização não-governamental (ONG) Associação Água Pura, Ângelo Góis, tudo isso não basta. Para ele, o que determina a recuperação é o próprio indivíduo. ''Você pode colocar a pessoa em 300 projetos, se ela não tiver força de vontade não adianta'', diz com a experiência de quem atendeu centenas de dependentes químicos nos últimos quatro anos.
Pelo escritório da ONG, que funciona no Centro de Londrina, circulam cerca de 300 dependentes químicos por mês. Pelo menos 20% são adolescentes, encaminhados por órgãos como o Conselho Tutelar e projetos municipais. Para ele, é impossível dissociar a criminalidade na adolescência do consumo de drogas. ''Diria que em 95% dos casos a motivação são as drogas'', afirma.
O coordenador garante que já viu dezenas de adolescentes que passaram pela entidade e que se drogaram, roubaram e até mataram se recuperarem, embora admita que o dependente químico requer observação por toda a vida. A experiência, segundo ele, mostrou que a recuperação pode acontecer onde menos se espera. ''Já vi adolescente de quem a família e a sociedade já haviam desistido, e de repente a gente desperta alguma faísca que o faz tomar a decisão de mudar'', diz.
Nesse momento, o jovem precisa de acompanhamento para concretizar a mudança, ressalta Góis. Para tanto, a ONG atua com uma equipe formada por assistente social, psicóloga, técnicos em dependência química e ex-dependentes. ''É preciso tratar dos conflitos na família, do alcoolismo do pai, se houver. Não adiante atender o adolescente apenas marcando um horário. Sem criar vínculo você não avança'', garante. (V.N)





