A Polícia Militar de Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão) está tendo que emprestar uma viatura da Polícia Civil para fazer rondas à noite. O empréstimo vem ocorrendo há uma semana, desde que o único carro da PM foi recolhido pelo 11º Batalhão da Polícia Militar por não ter mais condições de uso. A Polícia Civil da cidade tem apenas uma viatura – uma Parati 1992. As condições do veículo também deixam a desejar.
‘‘Chegamos à situação que quem precisa da Polícia Militar tem que levar um carro para ela trabalhar’’, disse o promotor Willian Lira de Souza, da comarca de Campina da Lagoa. ‘‘A comunidade não merece um desrespeito desses’’. O delegado José Ivan Nascimento de Brito, o ‘‘Natu’’, afirma que o empréstimo da viatura acontece porque há um ‘‘espírito fraterno’’ entre as polícias Civil e Militar na cidade.
O delegado, no entanto, diz que o empréstimo do veículo parece mais um ‘‘presente de grego’’. ‘‘Nossa viatura é velha e está caindo aos pedaços. Sorte que a cidade está calma e uma única viatura está servindo as duas corporações’’, completa. O comandante do 11º Batalhão da PM, major Nélson João Casarolli, disse que estava tentando mandar uma Ipanema usada para Campina da Lagoa.
De acordo com Casarolli, o batalhão deve receber três viaturas Toyota novas dentro de 20 dias, mas nenhuma delas é para Campina da Lagoa. ‘‘Será possível fazer um remanejamento’’, disse. Ele lamentou que ‘‘deixaram a viatura da cidade chegar a um nível muito ruim’’.
Para o promotor Willian Lira de Souza, existem ainda problemas como a falta de policiais civis de carreira. ‘‘Em toda a comarca, com 30 mil habitantes, não há nenhum investigador, nem escrivão e delegado de carreira’’, disse. Em 1997, o Ministério Público chegou a apresentar uma ação civil pública pedindo a designação de policiais de carreira para as três delegacias da comarca – Campina da Lagoa, Nova Cantu e Altamira do Paraná.
A ação foi julgada procedente, mas está parada no Tribunal de Alçada aguardando recurso. Sem policiais civis de carreira, as delegacias funcionam com funcionários cedidos pelas prefeituras.

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