Os representantes de creches decidiram ontem cobrar de autoridades londrinenses em Brasília o reestabelecimento do repasse federal atrasado há quatro meses. Sessenta instituições filantrópicas da cidade dependem do dinheiro para comprar alimento e material didático. Segundo dados da Secretaria Municipal da Educação, mais de cinco mil crianças de até seis anos são atendidas em Londrina, nas zonas urbana e rural. Outra queixa é em relação ao atendimento de mais crianças do que o número de conveniadas.
''Vamos manter contato com os nossos representantes na esfera federal, como os deputados da cidade. Até porque a maioria das creches depende do convênio para se manter'', destacou a presidente da Associação Fórum das Entidades Filantrópicas de Londrina (Afel), Maria Inez de Oliveira. Os representantes das instituições decidiram também buscar uma solução para o impasse na reunião do Conselho Municipal de Assistência Social, às 8h30, na sede da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), e com a secretária municipal de Ação Social, Maria Luiza Rizzoti.
O valor do repasse federal é de R$ 17,02 por criança ao mês feito através do Programa de Ação Continuada (PAC). O recebimento do dinheiro é intermediado pela Secretaria Municipal de Ação Social. As creches recebem ainda verba municipal de R$ 80,00 para cada criança do berçário e R$ 70,00 para as de três a seis anos. ''Tão logo recebamos o recurso, repassaremos para as entidades'', garantiu Maria Luiza. A secretária declarou ainda que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome teria informado que o repasse será normalizado até sexta-feira. A reportagem tentou contato com o ministério e com a secretária nacional de Assistência Social, Márcia Lopes, mas não obteve êxito.
Enquanto o pagamento do repasse não é normalizado, as creches de Londrina dependem de doações e de fiado para fornecer alimentação às crianças. O padre César Braga de Paula, responsável por duas creches nas áreas urbana e rural do município, disse que as entidades têm dívidas de R$ 2.500 em supermercados.
''Não sou irresponsável. Vou manter a qualidade da alimentação das crianças. Vou continuar fiando e pedido doações'', afirmou Braga. Dirigidas pelo padre, os centros de educação infantil Boa Esperança, no Jardim Franciscato (Zona Sul), e São José, em Irerê, atendem respectivamente 130 e 40 crianças.
Responsável pelo atendimento de 128 crianças, a Creche Menino Jesus, na Vila Isabel, está sem estoque de alimentos. ''Toda segunda-feira ligo para doadores para conseguir alimento para a semana'', contou a diretora Marlene Ribeiro Proença. ''Dá uma tristeza muito grande saber que eu estou fazendo a minha parte, mas que o governo deveria fazer a dele e não faz'', lamentou Marlene.
Integrantes do Fórum pretendem cobrar também o aumento no número de crianças conveniadas por creche. ''É normal que atenda mais crianças do que as conveniadas'', garantiu Maria Inez. Outra reivindicação é a atualização do valor dos recursos.

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