Sem recursos para iniciar as aulas, os alunos do projeto municipal ''Alfabetizando Londrina'' terão que esperar, no mínimo, mais uma semana para ter o primeiro contato com as letras. A justificativa dada pela gerente de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria Municipal de Educação, Elaine Fátima Souza Carvalho, foi que para receber a verba do Ministério da Educação (MEC) o projeto precisaria ter 90% das vagas ocupadas, que só foram preenchidas na última sexta-feira. As começariam ontem.
O convênio foi estabelecido no ano passado e exigia o cumprimento da meta para o repasse da verba de R$ 279.600,00. O município, segundo a gerente, entraria com os serviços de apoio pedagógico aos professores, transporte, entre outros, o que significaria uma contrapartida de 1%. ''Agora só estamos esperando o Ministério confirmar que a meta foi atingida e repassar o recurso''. Elaine acredita que na próxima semana já iniciará o processo de capacitação dos alfabetizadores.
O programa, que visa alfabetizar três mil alunos com idade superior a 15 anos num período de seis meses, teve um total de 2.716 inscritos que serão divididos em 132 turmas de 18 a 25 alunos. As aulas serão ministradas em associações de moradores, igrejas e outros locais que foram acertados pelos próprios professores. ''Somente em locais onde não há espaços comunitários a prefeitura poderá disponibilizar salas de aula'', explica Elaine. Cada grupo terá quatro aulas de duas horas cada por semana, de segunda a quinta.
Mas o adiamento das aulas pode trazer alguns prejuízos. Segundo a professora Valdelice Pereira Fiel, de 42 anos, alguns de seus alunos já manifestaram a intenção de desistir do curso. ''Eles deixam de acreditar que vai dar certo e alegam que viveram até agora sem saber ler e que não será problema continuar na mesma situação'', conta. Mesmo assim, Valdelice quer deixar as portas abertas para que os desistentes voltem atrás assim que as aulas tiverem início.
Com uma turma de 20 alunos, Valdelice também está ansiosa pela definição da data das aulas. ''Já conversei com o pessoal do Colégio Marista e eles ficaram de me emprestar uma sala na Escola Oficina. A maioria dos meus alunos são idosos a acredito que vou aprender muito com eles'', relata.
As caracteríticas para ser um alfabetizador são: ser maior de 18 anos, ter concluído o ensino médio, além de não manter vínculo empregatício municipal, estadual ou federal. Cada professor receberá R$ 15,00 por alunos. De acordo com dados do mapa do analfabetismo divulgado em 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Londrina têm registrados 23.839 analfabetos.

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