A construção do prédio da Clínica Odontológica Universitária (COU) e da Clínica de Especialidades Infantis (Bebê Clínica) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está parada desde o início do ano por falta de verbas. A obra que era prevista para ser entregue até 2015, agora está sem prazo para conclusão. Essa interrupção expõe ainda mais a fragilidade do atual prédio da Clínica, situado na Rua Pernambuco, 540 (região central).
Iniciada no primeiro semestre de 2010, a construção de 11,2 mil metros quadrados no campus universitário teve os projetos formulados a partir de 2004 e contou apenas com os recursos de R$ 5 milhões da Secretaria Estadual de Ciência , Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) para concluir a primeira etapa, constituída de toda parte estrutural de três blocos e reboco externo.
Porém, a estimativa é de que ainda são necessários R$ 16 milhões para conclusão da unidade. No ano passado, o secretário da Seti, Alípio Leal, esteve em Londrina e tomou conhecimento da situação da clínica, assim como o coordenador do programa Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca, que conheceu as obras no campus universitário.
Na ocasião, a universidade solicitou ajuda para dar sequência às obras. "Desde então estamos tentando buscar verba em nível federal com contrapartida do Estado, mas até agora só estamos na conversa. Alguns deputados foram até procurados para discutir as possibilidades de auxílio federal, mas não temos um feedback. Quando o projeto foi aprovado, não havia um acordo, mas uma perspectiva de liberação das verbas, considerando as condições do prédio atual", afirma o diretor da clínica, José Roberto Pinto.
De acordo com ele, no último documento repassado à UEL, Leal se propôs a ajudar na busca de recursos. "Somos a única obra de grande porte, além da Santa Casa de Londrina, que tem todos os projetos aprovados. O que me incomoda é que essa discussão não é nova. Começamos em 2004 a relatar a precariedade do local que abriga o curso e a clínica. Com a nova unidade, conseguiremos aumentar a capacidade de atendimento à população em 100%, além de melhorar a qualidade do ensino e pesquisa, vislumbrando inclusive a área de doutorado", salienta.
O diretor ainda afirma que a UEL tem dado apoio a duas frentes. Uma é na busca de recursos para concluir a obra e a outra é na manutenção das mínimas condições de segurança da comunidade interna e externa do prédio atual. Segundo ele, a UEL liberou recentemente recursos próprios em torno de R$ 1,1 milhão para cobrir a construção. "Agora estamos em processo licitatório", conclui.

Esforço
A reitora da UEL, Nádina Moreno, informa que a instituição está em negociação com o Governo do Estado para buscar recursos, porém com uma nova alternativa. "Não posso adiantar agora qual será a medida. Mas afirmo que o que falta para a conclusão hoje é em torno de R$ 16 milhões e que neste mês vamos discutir essa questão durante reunião do Conselho de Reitores, avaliando os recursos do Fundo Paraná, além de outras tratativas com órgãos estaduais", declara.
Nádina ressalta que a administração anterior já buscava recursos e que esse continua sendo um esforço de sua gestão. "Logo que assumimos em 2010, estivemos reunidos com o ministro do Planejamento, entregamos um croqui da unidade e pedimos recursos para as obras. Ao longo desses três anos temos feito várias tentativas junto aos deputados federais e estaduais e à Seti. O secretário Alípio Leal inclusive visitou as obras e se mostrou muito sensível com a questão", comenta.
No próximo mês, os 11, 2 mil metros quadrados já construídos com os recursos iniciais, repassados através da Seti, serão entregues oficialmente. "A UEL disponibilizou R$ 1,1 milhão para a cobertura e instalação dos canos por onde devem passar as fiações. Essa medida é para não colocar o prédio em risco, pois trata-se de uma obra que deve ser entregue completa. O projeto é de um hospital odontológico e, portanto, não pode ser feita fragmentada para ser posta em uso", completa.
Anualmente, a COU e Bebê Clínica realizam cerca de 120 mil atendimentos, sendo mais de 270 mil procedimentos, contemplando pacientes de 57 cidades, incluindo o sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Muitos destes pacientes são atendidos no Pronto-Socorro 24 horas, que eleva a clínica a uma das poucas do país a funcionar durante todos os dias do ano.

mockup