SEM VERBA - Reparos de danos causados por chuva atrasam
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segunda-feira, 21 de março de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
Mais de dois meses após a chuva de 11 de janeiro, muitos dos estragos causados pela força das águas ainda não foram consertados. Em Londrina e região, estradas, pontes, ruas, escolas e unidades de saúde aguardam por reparos e boa parte das obras sequer tem prazo para ser iniciada. Além dos custos, que beiram os R$ 100 milhões, a agilidade na execução das obras esbarra na burocracia. Muitos projetos devem ficar para o segundo semestre e uma parcela deles deve ser herdada pelo próximo prefeito.
Na saúde, a falta de recursos prejudica o atendimento aos usuários da Unidade Básica de Saúde (UBS) Panissa/Maracanã (zona oeste). O imóvel foi interditado após apresentar rachaduras e, no início de fevereiro, as atividades foram transferidas para o salão paroquial da Capela São Silvestre, no Jardim Olímpico. Mas o atendimento é feito com restrições. Procedimentos como inalação, curativos, retirada de pontos, vacinação e medicação injetável foram transferidos para outras unidades por falta de estrutura adequada.
O que não pode ser feito na unidade provisória, é encaminhado às UBSs do Jardim Tokio ou do Jardim Bandeirantes ou à UPA do Jardim Sabará. O atendimento odontológico também foi transferido para as UBSs mais próximas. Além da restrição nos procedimentos, a estrutura está longe do ideal. A triagem dos pacientes, por exemplo, é feita em uma sala dividida ao meio para funcionar também como farmácia.
"Ficou complicado misturar igreja com posto de saúde. Meus filhos usam dentista e tenho que me deslocar porque um deles recebe atendimento no Jardim Bandeirantes e outro, no Tokio. São três quilômetros a mais que tenho que andar", disse o operador de produção Reginaldo Ramos, morador do Jardim Columbia. "Com a mudança do posto para cá piorou um pouco porque muitas coisas não podem ser feitas aqui e mandam a gente para o Tokio. Só que eu não vou até lá porque tenho problema no coração e não posso andar muito. Fico sem fazer o que precisa", contou o reciclador Elcio Roque Ferreira, morador do Conjunto João Turquino.
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, informou que a recomposição do muro de acesso ao estacionamento do imóvel onde funcionava a UBS Panissa/Maracanã foi feita e a obra de reparo de outros danos ainda está em fase de orçamentação. "Vamos tentar obter os recursos junto ao governo federal. Mas é claro que se esse dinheiro não sair, deve ser feito com recursos próprios."
Enquanto a reforma não sai, um barracão será alugado no bairro para servir de sede provisória à UBS. O imóvel já foi escolhido, mas a Secretaria de Saúde aguarda a regularização da documentação pelo proprietário. Inicialmente, o contrato de locação será por um ano e o valor é de cerca de R$ 2,5 mil mensais.
Além da UBS Panissa/Maracanã, a chuva causou estragos na UPA Centro-Oeste, no Jardim do Sol (zona oeste), mas como a obra ainda estava no prazo de garantia, os reparos foram feitas pela empresa responsável pela construção do prédio. Agora, o município avalia um possível comprometimento nas galerias pluviais daquela unidade. "Talvez tenhamos que investir nessa obra", disse Martin.
Escolas
Das 114 unidades de ensino da rede municipal, 111 apresentaram problemas após a chuva de janeiro, sendo que em 78 os estragos foram maiores. O processo licitatório para a reforma foi dividido em quatro lotes. No primeiro, foram incluídas 22 instituições e a ordem de serviço já foi expedida. As obras começaram em 12 unidades. O investimento total desse primeiro lote é de cerca de R$ 3,7 milhões, que sairão do caixa da prefeitura. "Deixamos de adquirir aparelhos de DVD e aparelhos de som, abrimos mão da reposição de material, cortamos material de artesanato e de consumo, além da redução em 100% das horas extras da Secretaria de Educação. Com esses cortes, conseguimos cobrir as despesas com as reformas nesse primeiro lote", disse a secretária municipal de Educação, Janet Thomas. Para as obras maiores, no entanto, a secretaria irá aguardar verbas federais, que podem demorar um ano.
A secretaria também pleiteia, junto ao governo do Estado, R$ 2 milhões para cobrir a alta nos gastos com transporte escolar decorrente da alteração de rotas feita em razão de quedas de pontes na zona rural. "Apresentamos como justificativa o subsídio de R$ 4 milhões ao ano que damos ao Estado no transporte escolar", disse a secretária. Para manter as atividades nas escolas, a pasta também precisou investir quase R$ 300 mil na compra ou aluguel de dez salas de aula e uma cozinha móvel, dois depósitos e seis tendas para substituir refeitórios ou quadras esportivas interditadas. (Leia mais na pág.2)


