Mais de um mês depois do início das aulas, ainda há dezenas de crianças e adolescentes em Londrina à espera de uma vaga nas escolas da cidade. Segundo o Conselho Tutelar da Região Norte, dezenas de pais têm procurado o órgão com a mesma queixa. Para tentar fazer um diagnóstico do problema e buscar soluções, o Conselho realizaria ontem à noite uma reunião com os pais. ''Muitos pais nos procuram e depois da resposta negativa não nos dão retorno. Por isso estamos estudando uma mudança no fluxo de encaminhamento. Se o próprio Conselho procurar a escola, fica mais fácil saber'', comentou Idalto José de Almeida, vice-presidente do Conselho, observando que a demanda este ano parece estar maior em toda a cidade.
''Após a reunião, o Conselho deve entrar em contato com o Núcleo Regional de Educação (NRE), Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e, se for o caso, com o Ministério Público, a fim de buscar a melhor solução em conjunto com as autoridades que têm o poder de resolver. Não queremos brigar, mas sensibilizar as autoridades'', explicou.
Dentre os alunos que estão com dificuldades para encontrar uma vaga, Almeida revelou que alguns são multirrepetentes, outros reprovaram por falta no último ano e há ainda os considerados ''problemáticos''. ''No ano passado, muitas escolas tiveram problemas sérios de indisciplina e violência. Algumas escolas rejeitam esses alunos. É preciso discutir melhor essa questão. Fechar as portas é o caminho mais equivocado de todos'', alertou, acrescentando que também faltam vagas nas escolas próximas à residência do aluno.
Segundo o conselheiro, a falta de vagas tem gerado também listas de espera que não deveriam existir. ''A lista de espera legalmente não existe. Para o sistema de ensino é fácil, porque nesse caso a escola não negou a vaga'', denunciou.
A assistente de Núcleo do NRE, Marlene de Mello, informou que o NRE oferta 68 mil vagas em Londrina, sendo que, destas, apenas 60,5 mil estão preenchidas, e que pelo menos três escolas da Zona Norte têm vagas disponíveis. ''Mas é preciso ver qual é essa demanda, para qual série, turno e modalidade de ensino. Precisamos trabalhar sobre dados concretos'', salientou, acrescentando que o Núcleo ainda não foi comunicado oficialmente pelo Conselho Tutelar.
Marlene ressaltou ainda que muitos pais colocam os filhos na lista de espera das escolas por não estarem satisfeitos com a atual escola dos filhos. ''Há pais que participam de várias listas de várias escolas, então fica difícil precisar quantos alunos estão sem vagas'', justificou.
Em relação aos casos de suposta rejeição do aluno por parte da escola, a assistente admitiu que há a possibilidade de isso ocorrer, mas por isso mesmo é preciso discutir pontualmente as questões. ''Precisamos analisar caso a caso. Mais do que nunca todas as instâncias precisam fazer um acompanhamento conjunto para a reintegração desses alunos mais problemáticos na escola e na própria sociedade'', avaliou.

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