Duas grávidas internadas no Hospital Universitário (HU) aguardavam até o final da tarde de ontem transferência para outras instituições. Elas não podem ficar no hospital por causa da suspensão das internações nas unidades de Terapia Intensiva (UTI) e de Cuidados Intermediários (UCI) neonatais do HU. Superlotado, o setor foi isolado na última quarta-feira porque uma funcionária está com suspeita de varicela (catapora) e a doença poderia contaminar os recém-nascidos.
Segundo informações obtidas junto ao atendimento da Central de Leitos, anteontem quatro grávidas aguardavam transferência do HU para outras unidades, mas apenas duas conseguiram a remoção para o Hospital Evangélico, que também não dispõe de mais vagas. Outras duas ainda não haviam sido removidas até o final da tarde. Uma das pacientes está na 25 semana de gestação mas já havia entrado em trabalho de parto. A outra está na 34 semana mas inspira maiores cuidados por ter 36 anos de idade. A única alternativa seria transferí-las para o Hospital Santa Helena, em Apucarana, mas também não havia vagas.
A coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do HU, Cláudia Dantas Carrilho, reafirmou que a UTI/UCI neonatal deve continuar sob isolamento pelos próximos dias. Ela orientou as gestantes a procurar outros hospitais. Com 17 vagas, ontem a ocupação era de 20 recém-nascidos. Conforme reportagem de ontem da Folha, o setor foi isolado devido à suspeita de que uma funcionária tivesse com varicela. O resultado dos exames que podem comprovar ou não as suspeitas só deve sair em 10 dias. Por ser uma doença de alto risco, os recém-nascidos receberam um anticorpo contra o vírus que provoca a varicela e devem permanecer isolados pelo período de 28 dias. ''Os bebês estão bem e nenhum deles desenvolveu nenhum sintoma até o momento'', assegurou Cláudia.
O problema de superlotação na UTI/UCI neonatal do HU persiste desde 2003 e já provocou a atuação da Promotoria de Defesa da Sáude Pública. No ano passado, o promotor Paulo Tavares ingressou com um ação civil pública exigindo que o Estado criasse mais 11 vagas no setor quatro de UTI e cinco de UCI . Seu pedido foi deferido em primeira instância mas o Governo recorreu da decisão.
A diretora da 17 Regional de Saúde, Wânia Gutierrez, lembrou que desde 2004 o Estado está bancando sete leitos de UTI no Hospital Infantil e também repassou equipamentos para o HE para atendimento de gestantes de alto risco. Fez também o custeio da diferença de recursos até que o Ministério da Saúde concluísse o credenciamento. Ela garantiu que a Central de Leitos está fazendo a regulação adequada dos pacientes que necessitam de um suporte mais avançado.

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