Sem vaga em UTI, Londrina tem que transferir paciente
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A falta de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) obrigou o encaminhamento de uma paciente de Londrina para um hospital de Arapongas, município distante 37 quilômetros. Antes de ser transferida, Alvelina Lourenço Francês, 65 anos, ficou 14 horas e meia no Hospital da Zona Sul (HZN) à espera por uma vaga em UTI. Segundo a secretaria municipal de Saúde, Londrina conta com 86 leitos de UTI credenciados para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Internada com uma crise pulmonar havia uma semana, Alvelina foi encaminhada para a sala de emergência do hospital a 1h30 de ontem, após agravamento do quadro clínico. A paciente respirava com auxílio de aparelhos. Segundo a filha de Alvelina, Idelma Francês, 44 anos, a mãe faz tratamento no Hospital Universitário há 16 anos. ''Ela tem de vir ao hospital quase que direto para fazer inalação. O problema no atendimento não é do hospital. A culpa é do governo, que tem de fazer alguma coisa para resolver este tipo de problema'', afirmou.
O HZS faz 200 atendimentos diários em média. Segundo o diretor administrativo Elzo Augusto Carreli, ''a saúde é sazonal. É normal o crescimento da procura. O problema é a falta de vagas em UTI na cidade''.
Por ser um hospital secundário, o HZS não conta no seu quadro de médicos com vários tipos de especialistas, como pneumologista, que seria indicado para o caso de Alvelina. Os casos mais graves recebem atendimento de pronto-socorro, feito pelo plantonista, e são encaminhados para as UTIs disponíveis em Londrina e região.
''A quantidade de UTIs existentes na área não é suficiente para atender à demanda'', admitiu o chefe da 17 Regional de Saúde, Gilberto Martin. Para ele, a dificuldade existe porque Londrina faz atendimento de pacientes de outras regiões do Paraná e até de outros Estados. Martin acredita que o número de vagas seria suficiente se o atendimento ficasse restrito aos cerca de 800 mil habitantes das 20 cidades da área de abrangência da Regional.
De acordo com Martin, o Ministério da Saúde já anunciou o credenciamento de 12 novas vagas de UTI para Londrina, o que seria suficiente para minimizar o situação da falta de vagas. A ampliação faz parte de um projeto nacional, que prevê a implantação de 122 novas vagas no País.
A escassez de leitos de UTIs não é o único problema encontrado no Hospital da Zona Sul. A maioria dos pacientes na fila de espera na tarde de ontem reclamava da demora no atendimento, que levava, em média, duas horas. Alguns pacientes estavam esperando por atendimento por mais de três horas, sem sequer terem passado pela triagem.
A empregada doméstica Cristiane Trindade de Oliveira, 25 anos, estava na fila com o filho Douglas. ''É normal ficar horas sentada aqui esperando para receber o atendimento'', queixou-se. O diretor do HZS destacou também que a falta de vagas em UTI e as longas filas de espera não são problemas ''específicos do (Hospital da) Zona Sul, mas do próprio sistema de saúde''.


