Sem tratamento, doença pode incapacitar
A hanseníase tem cura. No entanto, diagnosticar é preciso. Na opinião da dermatologista Lúcia Takaoka que há 18 anos atende pessoas com hanseníase , no Paraná o diagnóstico ainda é deficitário e, em alguns casos, acontece tardiamente. Apesar disso, ela ressalta que a situação está melhorando, pois o Estado investe bastante. Hoje os casos chegam para mim como suspeita de hanseníase, antes eu recebia aqueles que os médicos atendiam e não sabiam do que se tratava, acrescenta.
Ela também ressalta que a falta de conscientização das pessoas sobre a doença contribui para o problema. Quem não sabe que uma mancha anestésica na pele pode ser hanseníase não se preocupa e não procura atendimento se tiver esse sintoma, diz a médica.
Lúcia atende em Londrina e em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio), onde funciona a Sociedade Filantrópica Humanitas, fundada por Haruo Sassaki, um padre japonês que se assustou com o número de pessoas com hanseníase na região, em 1979. Procurada por pacientes de várias cidades, ela diz que muitas pessoas passam anos sentindo sintomas que podem indicar hanseníase, tais como pinicação e dores pelo corpo, e não procuram ou não conseguem um diagnóstico médico.
Um sinal mais latente da doença é uma pequena mancha na pele, avermelhada ou esbranquiçada que apresenta sinais de sensibilidade. Muitas vezes nem as manchas são perceptíveis, explica a dermatologista.
O tratamento da hanseníase é feito por medicamentos, que são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde. Se não houver tratamento, em uma fase mais tardia, a doença, que é causada pelo micróbio Bacilo de Hansen, atinge os grandes troncos nervosos e pode causar conseqüências mais sérias.
Preconceito
Para a responsável pelo serviço de epidemiologia da Secretaria Estadual de Saúde, Elizabeth Sens, o estigma da doença, que ainda é vista de forma preconceituosa, é um fator que inibe a procura pelo diagnóstico. Ela também destaca que a hanseníase não tem grande espaço nos currículos das faculdades de Medicina. O diagnóstico da doença é essencialmente clínico. É uma pena que os futuros médicos tenham apenas duas horas/aula sobre hanseníase dentro da disciplina de dermatologia, lamenta. Ela lembra, porém, que o índice de cura no Paraná é de 94,5%. (W.S.)





