Ibiporã O metalúrgico aposentado Carlos Pereira Guimarães, 66 anos, sempre foi um homem ativo, apesar de ter se aposentado por invalidez aos 38 anos, em meados dos anos 70, depois de descobrir uma desritmia cerebral. Desde outubro, no entanto, sua saúde foi se debilitando em virtude de outro problema: complicações decorrentes de cálculos renais, o que significa dores crônicas, em algumas ocasiões, ''insuportáveis''. A solução seria o tratamento de litotripsia, bombardeio do cálculo à laser, no Hospital Universitário (HU) de Londrina. O serviço, porém, está suspenso.
No início do mês, Guimarães retirou o rim direito, tomado por um cálculo do tamanho de uma castanha de caju. O rim esquerdo também apresenta cálculos tão grandes quanto o que já foi extraído. Para minimizar o problema, os médicos instalaram uma catéter no órgão, com validade aproximada de 60 dias. A solução, porém, só viria com a retirada imediata dos cálculos. ''Não sei se resisto a outra cirurgia'', avalia o aposentado, que apresenta quadro de hipertensão, estresse e gastrite desde que o problema renal foi detectado.
Sem esta opção, Guimarães aguarda o tratamento de litotripsia. Ele é uma dos 50 pacientes que estão na fila para fazer o procedimento no Setor de Hemodinâmica e Litotripsia do HU, ala inaugurada há pouco mais de oito meses.
O problema é que a fila em que Guimarães está não anda. Tudo porque o conjunto de equipamentos necessários para o procedimento ainda não foi credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sem o credenciamento, o HU decidiu suspender o serviço há cerca de três meses, segundo o diretor clínico Sinésio Moreira Júnior. Durante o período em que funcionou, a nova ala atendeu, em média, 10 pacientes por semana.
Por este motivo, Guimarães se sente desamparado pelo sistema de saúde pública. ''Sempre paguei meus impostos e deveria ter o direito a tratamento quanto qualquer outro cidadão'', defende. O aposentado já pensa em uma atitude drástica e acionar o Ministério Público para garantir o acesso aos bombardeios a laser. ''Os próprios médicos disseram para não me conformar com esta situação. Ninguém pode explicar por que um equipamento tão caro fica parado enquanto a gente precisa tanto dele''.
Enquanto a medicina não o socorre, ele vai se habituando ao sofrimento. ''Já não posso ficar em pé ou sentado por mais de 30 minutos. Não aguento as dores'', reclama. Além do castigo físico, o aposentado sofre com a precária situação financeira e com a impossibilidade de bancar o tratamento pago.
A doença não permite que ele se dedique a trabalhos eventuais para complementar o benefício da Previdência, de R$ 470,00. Não pode exercer a função de mecânico. Depende em grande parte dos talentos da mulher como bordadeira para não deixar as três filhas adolescentes passar por necessidades. Mas a companheira teve que largar as linhas e a agulha para cuidar do marido, cada vez mais dependente do seu esforço.

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