Sem-teto vão para o jardim Cristal
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Lúcio Horta 
Mário CésarContrato provisórioCriança toma banho no Palácio do Futsal, onde continuam nove das dez famílias despejadas do Ilda Mandarino: comodato por 90 diasNove das dez famílias de sem-teto que foram despejadas das casas de fibrocimento do conjunto Ilda Mandarino (zona norte), semana passada, serão transferidas ainda hoje para uma área no jardim Cristal (zona sul). Quem garante é o vereador Célio Guergoletto (PMDB), que intermediou junto à loteadora Tupy, dona do terreno, e às famílias de sem-teto, um contrato de comodato com duração de 90 dias. O contrato já está pronto e só falta assinar, informou o vereador no final da tarde de ontem, depois de receber uma comissão de sem-teto.
Enquanto aguardam uma solução definitiva para o problema, as famílias permaneciam alojadas no ginásio Palácio do Futsal, na vila Brasil (área central). A décima família, de Adyr César Barreto Ferreira, apontado como líder dos sem-teto, desistiu de acompanhar o grupo depois que descobriram que ele tinha telefone celular e uma fábrica de cerâmica na Cidade.
Pelo contrato negociado por Guergoletto, se no período de 90 dias as negociações entre Prefeitura e loteadora não tiverem resultado positivo, sobram duas opções aos sem-teto: ou eles desocupam a área ou compram os lotes diretamente com a Tupy - de forma facilitada, segundo o vereador.
Ao todo, são 18 lotes com área individual de 460 metros quadrados. Eles deverão ser ocupados por duas famílias cada um. Acho que esse prazo, de 90 dias, é suficiente para que a Prefeitura resolva o problema burocrático, de avaliação da área, projeto na Câmara e doação ao pessoal, acredita o vereador. Ele aposta, no entanto, numa solução definitiva negociada diretamente entre a Prefeitura e a loteadora.
A solução apontada por Guergoletto indica o repasse, por parte da Tupy, da mesma área do jardim Cristal para o Executivo, como forma de pagamento de dívida de imposto municipal atrasado. A Tupy deve cerca de R$ 100 mil à Prefeitura. Em seguida, a Prefeitura repassaria a área para a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), também para amortizar uma dívida de R$ 6 milhões, e a Cohab financiaria os lotes às famílias.
Esse projeto já está sendo discutido entre a Prefeitura e um dos sócios-proprietários da loteadora, Jamil Richa. O secretário municipal de Administração, Moysés Leônidas, afirmou ontem que aguarda para hoje o resultado de um laudo preparado pela Comissão Permanente de Avaliação para tentar fechar acordo com Richa. Se a negociação avançar, a Câmara deverá aprovar projeto de lei consolidando o acordo.
Jamil Richa informou que não pretende comentar as bases da negociação entre a Prefeitura e a loteadora antes de o negócio ser fechado. O vereador Célio Guergoletto, no entanto, adiantou que o lote deverá custar cerca de R$ 2 mil para cada família. O vereador também disse que a Cohab irá providenciar transporte e lonas para que as famílias levantem os barracos no jardim Cristal.


