Mais de 20 barracos foram derrubados anteontem em um loteamento particular no Jardim Vale do Sol, nos fundos do Jardim Primavera (Zona Norte) de Londrina. Moradores do fundo de vale daquele bairro, que tentavam invadir a área, foram surpreendidos com a ação do proprietário do loteamento que exigiu a retirada das famílias.
Na presença da Polícia Militar, alguns representantes da empresa Sena Construções, que detém a maioria dos lotes do terreno, derrubaram os barracos com tratores da própria contrutora. ''Aqueles lotes são particulares, alguns até vendidos para terceiros e por isso não vamos permitir a ocupação ilegal'', afirmou Max Lobato, dono da empresa.
Depois que as máquinas saíram, alguns moradores voltaram a erguer novamente os barracos apesar da polícia permanecer no local, 24 horas de campana na rua, para tentar impedir novas invasões.
Segundo Idelzuíta Valério de Souza, presidente da Associação de Moradores do Jardim Vale do Sol, a associação ficou sabendo que a área seria invadida por assentados de outras comunidades. Por isso, segundo ela, invadiram antes. ''Se nós não podemos construir nossas casas aqui, não é gente de outro bairro que vai vir para cá'', disse.
De acordo com moradores do fundo de vale, a invasão no loteamento começou anteontem. ''Daqui não vamos sair. Assim que a chuva parar vamos erguer novamente os barracos, quantas vezes for preciso'', disse um deles, que não quis se identificar.
Janaina Priscila França, uma das que tentavam invadir a área, disse que a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) propôs a transferência das famílias para outro bairro.''Moramos aqui há mais de quatro anos, temos escolas, creches e agora querem nos mandar para outra localidade? Isso nós não aceitamos''.
O dono da loteadora informou que já tentou um acordo com a Cohab para solucionar a situação dos moradores.''Estamos tentando uma parceria para retirar as famílias que vivem nos fundos de vale. Mas, se houve nova invasão irregular, entrarei com reintegração de posse e legalmente volto a tirar as famílias do terreno''.
Segundo o presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, a companhia nunca foi a favor da ocupação irregular e não é agora que isso vai acontecer.''Estamos buscando por soluções. Acredito que, em breve, vamos estar resolvendo o problema. O que queremos é dar condições dignas de moradia para aqueles moradores, mas para isso precisamos da paciência das famílias''.

mockup