Cerca de 200 famílias de sem-teto ocuparam uma área de preservação permanente de 30 hectares, entre a BR-277 e o viaduto da Avenida das Torres, na divisa entre os municípios de Curitiba e São José dos Pinhais. A ocupação vem sendo feita de forma desordenada há 15 dias. Os sem-tetos construíram pequenos barracos de lona e vivem em precárias condições, agravadas pela chuva. Ao todo são mais de mil pessoas, entre elas um grande número de crianças. O secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Hitoshi Nakamura, apelou ontem para que as famílias deixem o local. Ele afirmou em nota à imprensa que quer evitar ‘‘situações de conflito e violência.’’
Nakamura argumentou que a área já está destinada à construção do Parque Estadual Linear do Rio Iguaçu. Conforme o secretário, os 30 hectares ocupados abrigam animais em extinção, como o macuquinho-da-várzea. A permanência dos sem-teto, de acordo com Nakamura, poria a espécie em risco ainda maior. Nakamura disse ainda que o terreno está sujeito a inundações e possui um lençol freático a menos de 15 centímetros da superfície.
Sem qualquer noção ambiental e instrução, os sem-teto dizem que nem sabem que a área é de preservação ambiental. Ao contrário, vêem nela a única forma de conquistar um local para morar. A outra opção seria as ruas. ‘‘Não temos para onde ir’’, disse o catador de papel João Guimarães, 27 anos, que morava com a mulher em um depósito de papelão. Nesta semana, segundo ele, a dona do depósito mandou os dois embora e eles foram avisados por amigos sobre a ocupação. ‘‘Aceitamos negociar com os donos do terreno e pagar uma taxinha’’, propôs Guimarães, ao saber que a prefeitura quer tirar as famílias de lá.
Dormindo com o marido e mais seis filhos em uma barraca de menos de quatro metros quadrados, a dona de casa Neuci Soares, 37 anos, pretende lutar para continuar no terreno. Ela já guarda um lote para o sétimo filho, o mais velho, que é casado e iria se mudar hoje para a área. Neuci disse que vai ficar na área, apesar de reconhecer que é difícil morar em meio à lama e à água que se acumulava ontem sobre a grama. ‘‘Aqui é terrível, mas tem que ser assim’’, afirmou.
Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estiveram no local anteontem e pediram a desocupação imediata aos moradores. Como isso não ocorreu, o diretor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do IAP, Mário Sérgio Rasera, encaminhou uma denúncia à Promotoria de Justiça e Meio Ambiente de Curitiba. Rasera pediu o destacamento de policiais para impedir que a ocupação continue. Além disso, ele quer a abertura de processo contra os ‘‘responsáveis pelo delito.’’Kraw PenasO catador João Guimarães, expulso do depósito de papelão onde morava com a mulher: ‘Não temos para onde ir’James Alberti

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