Cerca de 100 famílias de sem-teto que estavam acampadas num terreno pertencente à União, nas proximidades da Avenida Paraná, em Foz do Iguaçu, foram removidas ontem do local em cumprimento a uma determinação judicial. Segundo informações da prefeitura, pelo menos 70 dessas famílias foram levadas para acampamentos de sem-terra pelo Movimento Popular Central ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A coordenação local do MST na região Oeste disse desconhecer a informação de que o movimento estaria levando as famílias sem-teto para Guaíra, conforme informação da Prefeitura de Foz do Iguaçu.
Ainda permanecem no local 16 famílias de índios caingangues que não têm para onde ir. Cinco famílias pediram ajuda à prefeitura para retornar a Chapecó (SC).
A desocupação foi pacífica e, do total de sem-teto, apenas 16 famílias estavam cadastradas no programa de desfavelamento da prefeitura e foram transferidas para o bairro Cidade Nova, onde o município mantém um projeto de construção de casas para ex-favelados.
De acordo com o diretor do departamento municipal de Habitação, Celso Rios, as famílias cadastradas irão ficar instaladas provisoriamente em barracos. ‘‘Devido a situação de emergência elas serão colocadas numa área sem infra-estrutura até que possamos viabilizar a construção de casas’’, disse.
Segundo Rios, a grande maioria das famílias que estavam na área da União são provenientes das regiões de Laranjeiras do Sul, Francisco Beltrão, São Miguel do Iguaçu, São Miguel do Oeste (SC) e do Paraguai.
Ontem, por volta das 16 horas, a dona de casa Odete Rodrigues, 23 anos, mãe de quatro filhos e grávida de nove meses, disse que não saberia onde iria passar a noite. Ela e o marido aguardavam, juntamente com a mudança e as madeiras do barraco que desmancharam, um local para serem removidos. ‘‘Nós morávamos há mais ou menos um ano aqui. A situação começou a ficar difícil depois que os sem-terra vieram para cá. Agora não sei o que será de nós’’, disse.

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