Warren NabucoAdeus, Ilda MandarinoOrdem de despejo chega de manhã e os caminhões saem com mudança dos sem-teto: famílias deixam bairroOntem pela manhã, oficiais de Justiça e policiais militares cumpriram liminar de reintegração de posse das casas para a construtora Grande Piso Revestimento, de Foz do Iguaçu, que foram invadidas por 10 famílias no dia último dia 13, no conjunto Ilda Mandarino (zona norte). A ordem de despejo para as famílias ocupantes veio da 5ª Vara Cível de Londrina.
As famílias despejadas das casas de fibrocimento levaram os três caminhões com suas mudanças para a Praça dos Três Poderes e dormiram a noite de ontem para hoje na garagem do prédio da Prefeitura.
O grupo de sem-teto é formado por 50 pessoas: 22 crianças e 28 adultos, entre os quais algumas mulheres grávidas. Eles chegaram à praça da Prefeitura por volta das 18 horas, depois de esgotadas as infrutíferas negociações em reunião na Câmara e de terem ficado sem ter onde passar a noite.
Os vereadores Antonio Ursi (PT) e Célio Guergoletto (PMDB) acompanharam, na manhã de ontem, a ação de despejo das dez famílias que ocupavam as casas de fibrocimento. Eles convocaram para a tarde de ontem uma reunião na Câmara, da qual participaram representantes dos invasores, diretores da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, outros vereadores e o advogado da Construtora Grande Piso, Marco Antônio Campanelli.
A reunião transcorreu em clima tenso e durou cerca de três horas. Os vereadores tentaram encontrar uma solução para alojar, pelo menos na noite de ontem, as famílias que estavam sendo despejadas, mas não obtiveram êxito. Não houve concordância das partes envolvidas - Cohab, invasores e construtora - em nenhuma das várias propostas apresentadas.
A Cohab fez duas propostas, recusadas pelos invasores: eles receberiam lotes e barracas de lona no assentamento do jardim Olímpico 2 (zona norte); ou deixariam suas mudanças em um barracão da companhia e dormiriam em casas de parentes e amigos. Os vereadores propuseram que os invasores continuassem temporariamente nas casas de fibrocimento, ou pelo menos nos quintais delas, até que outra solução fosse encontrada pela Prefeitura e Cohab. Os invasores concordaram com isso, mas o advogado Campanelli não.
Campanelli manteve-se, durante toda a reunião, irredutível e fechado à negociação: ‘‘A ordem judicial de despejo tem que ser cumprida por inteiro. Não é papel da construtora, da iniciativa privada, resolver os graves problemas sociais que são responsabilidade do poder público, como é o da falta de moradias.’’
Os vereadores propuseram ainda que os despejados fossem alojados nos boxes do autódromo internacional Ayrton Senna ou na quadra do Ginásio de Esportes da Cohab no conjunto Maria Cecília (ambos na zona norte). Os representantes dos invasores aceitaram, mas diretores da Cohab e representantes da Prefeitura se opuseram à proposta. Argumentaram que estão acontecendo campeonatos esportivos no Ginásio do Maria Cecília e que no próximo domingo haverá provas no autódromo. A solução encontrada pelos sem-teto foi acampar na frente da Prefeitura.
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Ao final da reunião, Guergoletto estava desanimado. ‘‘Todas as partes foram muito intransigentes. Queríamos evitar o constrangimento do pessoal todo - que é gente de bem e pacífica - acampar na frente da Prefeitura, mas não deu. Vamos torcer para que amanhã, com a chegada do prefeito Belinati, o problema seja resolvido.’’
Até as 19h30, nenhum secretário municipal ou funcionário da Prefeitura havia descido à garagem do prédio para conversar ou prestar ajuda aos despejados, que começavam a se acomodar como podiam para enfrentar o frio da noite. Segundo os líderes dos despejados, as mudanças permaneceriam nos caminhões - alugados pela Construtora Grande Piso para a execução do despejo. Apenas os colchões e cobertores seriam usados.
As famílias que dormiriam na garagem da Prefeitura ainda esperavam que o prefeito Belinati chegasse ainda ontem à noite de Curitiba - onde passou o dia de ontem - e apresentasse alguma solução. ‘‘Se isso não acontecer, vamos dormir aqui sem problemas. Estamos acostumados a enfrentar o frio e as dificuldades’’, comentou Adir Cesar Ferreira. ‘‘Estamos apenas ocupando, pacificamente, este espaço público por uma noite. Amanhã o prefeito chega e nós resolvemos a questão, definindo para onde vamos nos mudar.’’

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