Milton DóriaRipa na chulipaInvasores erguem barracos no Aquiles Sthenghel: problema de habitação chega a gramado da periferiaDepois de invadir fundos de vale e terrenos particulares, os sem-teto de Londrina começam a ampliar seu raio de ação. Um grupo de cerca de 25 invasores resolveu ocupar, há quatro dias, um campo de futebol, localizado na rua Elias Daniel Hatti, no conjunto Aquiles Sthenghel Guimarães (zona norte).
Todos os invasores são do próprio bairro e contam a mesma história: viviam com os pais e resolveram invadir para ter uma moradia própria. O campo de futebol foi escolhido, segundo eles, porque não vinha sendo usado para a prática de esportes.
‘‘Os moradores não vêm jogar bola aqui, o campo está abandonado’’, afirma Cláudia dos Santos, 27 anos. Ela está desempregada e tem dois filhos de 11 e quatro anos. ‘‘Morava com a minha mãe, mas ela não tem condições de ficar sustentando a gente’’, observa. Ontem, ela estava cavando buracos no campo para erguer o seu barraco.
Iraci Luna, 23 anos, desempregada, conta que já havia montado seu barraco de lona, mas ele foi queimado anteontem. ‘‘Aproveitaram que a gente tinha saído para pedir um pouco de comida na casa de amigos e colocaram fogo na barraca’’, afirma. Ela acusa alguns moradores de um assentamento vizinho pela destruição. Apesar de prever que pode haver um conflito com moradores contrários à idéia de invasão, Iraci Luna garante que o grupo não irá sair do campo. ‘‘Podem queimar de novo, eu monto outro barraco, mas daqui não saio’’, ressalta. Ela pretende erguer um novo barraco próximo a uma das traves do gol.
Cláudia dos Santos também garante que só abandona o local à força. Ela conta que alguns técnicos da Companhia de Habitação (Cohab) estiveram conversando com os invasores anteontem. ‘‘Eles falaram que a gente não ia poder ficar aqui, mas, mesmo assim, não vamos sair.’’
Alguns moradores do bairro observavam ontem os invasores perfurando o campo. ‘‘Sou contra a invasão porque acho que o campo deve ser usado para a diversão da comunidade’’, afirma Antonio Celestino Coller, morador do bairro. Outras pessoas que acompanhavam a ação dos sem-teto ontem evitaram falar.
De acordo com a Cohab, o problema do Aquiles Stenghel não é de moradia. ‘‘Tivemos informações de que se trata de uma rixa entre os próprios moradores. Uns não querem que haja campo de futebol no bairro, por isso invadiram’’, afirma o presidente da Cohab, Wilson Mandelli.

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