Sem-teto resistem em área invadida
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) decide hoje o que fazer com as famílias que ocuparam um terreno no Jardim Maracanã no sábado. Ontem de manhã, cerca de 40 delas voltaram para o Jardim João Turquino e foram cadastradas pela Cohab em um grupo de 90. Mesmo assim, a área continua ocupada por famílias que vieram de outros bairros da zona oeste.
O motorista desempregado Valdecir Alves do Nascimento levou a mulher e dois filhos para o barraco de lona que armou no terreno. Segundo ele, as famílias que estão ali não têm condições de pagar aluguel e mesmo após o cadastramento não pretendem deixar a área. É a única forma que encontramos de conquistar nossa casa. Para isso, qualquer sacrifício vale a pena.
Para não perder o lote, muitas pessoas que trabalham durante o dia deixam algum parente para cuidar do barraco. Esse é o caso de Marli de Lima Silva, que está no local para garantir o cadastramento dos filhos. Ela tem casa própria no Jardim Sabará 3, mas garante que o imóvel ficou pequeno para a família inteira. Meu filho toma banho e come em casa. Aqui ele só vem dormir. Segundo Robson Talma Cavalieri, diretor administrativo e financeiro da Cohab, essa é a estratégia da maioria dos ocupantes que, na verdade, são vizinhos do Jardim Maracanã.
Na Companhia ninguém soube informar qual o tamanho do terreno invadido e quantas famílias pode abrigar. Cavalieri disse que a área ainda não tem água, luz e rede de esgoto e que os primeiros a usufruirem dela serão 42 famílias do assentamento José Belinati, localizado num fundo de vale. O diretor administrativo e financeiro da Cohab descartou o uso de força policial para retirar as famílias do local, mas adiantou que elas terão que sair. Não podemos trabalhar ali e arriscar a segurança dessas pessoas. Talvez possamos até fazer o cadastramento antes mesmo delas deixarem a área, comentou.


