Sem-teto resistem e continuam em área
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de abril de 1999
Lucilia Okamura 
A Polícia Militar de Londrina tentou, sem sucesso, retirar dezenas de famílias que ocupam um fundo de vale no Conjunto São Lourenço (zona sul da cidade). Os invasores, que estão na área desde sexta-feira à noite, garantem que não irão embora enquanto não houver acordo com a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-LD). A tentativa de remoção ocorreu no sábado à tarde.
Segundo os líderes do movimento, as 67 famílias invadiram a área porque não têm condições de pagar aluguel. Eles querem construir no local. O terreno pertence à prefeitura e, no sábado, ao saber da invasão, o presidente da Cohab, Assad Jannani, disse à Folha que iria chamar a PM para realizar a desocupação.
Uma das invasoras, Rosemar de Fátima Ribeiro, que está desempregada, contou que no sábado à tarde cerca de 10 PMs apareceram no local. Eles chegaram e já mandaram a gente sair. Foram bastante agressivos e falaram muitos palavrões. Rosemar disse que todos os invasores deixaram a área apenas enquanto a PM estava lá. Depois, voltamos para terminar os barracos porque não tínhamos onde passar a noite. Ontem de manhã, dezenas de pessoas estavam erguendo barracas com lona preta ou pedaços de madeira.
Rosemar Ribeiro disse que pagando R$ 130,00 de aluguel em uma casa onde morava com o marido e três filhos pequenos. O meu marido ganha R$ 200,00. Não tínhamos condições de continuar lá. Grávida de três meses, ela garantiu que, mesmo que a PM volte, as famílias não deixarão a área.
Os invasores dizem contar com o apoio dos moradores do bairro. Lurdes Fogaça, que mora nas imediações, estava ontem ajudando as famílias a limpar o terreno para erguer os barracos. São pessoas daqui das redondezas. A gente tem que ajudar, justificou. Segundo ela, antes da ocupação, o fundo de vale era cheio de lixo, entulho e mato.


