Sem-teto querem regularizar ocupação
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segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Osmani Costa 
Uma comissão de representantes das famílias que ocupam, desde fevereiro, um ex-terreno baldio no fundo do Jardim São Rafael (zona leste de Londrina) esteve reunida, na tarde de ontem, com o responsável pelo Departamento Social da Companhia de Habitação (Cohab), Humberto Rodrigues de Lima. Eles disseram que estão preocupados com a possibilidade de despejo e que teriam o compromisso do prefeito Antonio Belinati (PDT) para a regularização do assentamento.
No início do mês, estivemos com o Belinati. Ele garantiu que ninguém será despejado, e que o terreno seria demarcado, com a abertura de ruas. Estamos aqui para cobrar da Cohab que as ordens do prefeito sejam cumpridas com maior rapidez, afirmou Elisângela Regina de Oliveira, uma das líderes das famílias. Como estão demorando muito para tomar as providências, estamos preocupados com os boatos de que um juiz estaria para mandar a Polícia despejar a gente daquela área.
A ocupação do Jardim São Rafael, ocorrida durante o Carnaval deste ano, é complicada desde o início. O terreno invadido por 114 famílias pertence a três proprietários. A maior parte é da Prefeitura, e nela estão 86 famílias. Numa área pertencente ao empresário Olavo Teodoro Luiz ficam os barracos de 20 famílias. Na parte pertencente à Loteadora Santa Terezinha estão oito famílias.
Os proprietários conseguiram na Justiça mandados de reintegração de posse, mas a Polícia não foi acionada para o cumprimento deles. O prefeito disse que ninguém vai ficar sem um terreno para a sua casinha, e que a Cohab resolveria a questão técnica. Que os ocupantes da área particular poderiam ser instalados no terreno da Prefeitura. Mas até agora, ninguém da Cohab apareceu lá para começar este trabalho, comentou Maria Anunciada Moreira, que com sua família está instalada no terreno de Olavo Teodoro.
De acordo com o sociólogo da Cohab, Humberto Lima, uma equipe de topógrafos iniciará na próxima semana um estudo técnico sobre as possibilidades de assentamento no terreno da Prefeitura. Este estudo determinará a viabilidade técnica do arruamento e subdivisão da área em lotes. Só assim, poderemos saber exatamente quantas famílias poderão continuar na área pública.
Ele reconheceu que há a ameaça de despejo nas áreas particulares ocupadas. As famílias estão apreensivas, e com razão. Há o boato de que a ordem judicial do despejo pode ser cumprido a qualquer momento. Sempre existe esta possibilidade, e é normal que as famílias invasoras estejam preocupadas, disse Humberto Lima. A Cohab não interfere nesta questão relativa às áreas particulares, porque não é da nossa competência. Isto é resolvido pelos proprietários e a Justiça. Se o estudo determinar que no local cabem menos do que 114 famílias, as restantes poderão ser transferidas para assentamentos em outras regiões da Cidade.


