Sem-teto prometem resistir até último minuto
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sábado, 02 de agosto de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Integrantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), que ocuparam um antigo prédio do Banestado na Avenida Marechal Deodoro, região central de Curitiba, estavam dispostos ontem a acampar nas calçadas e aguardar uma definição do governo do Estado. Eles tinham que ser retirados do prédio por ordem judicial até as 18 horas de ontem. O coordenador estadual Anselmo Schwertner prometia não oferecer resistência. No entanto, ele garantia que não tinha para onde levar as 40 famílias que estavam no local desde o dia 7 de junho. ''Havia uma promessa, mas ninguém apresentou solução. Vamos ter que ficar na rua. Não temos para onder ir'', argumentou ele.
Desde o início da tarde de anteontem, a Polícia Militar (PM) cercou o prédio para garantir a reintegração de posse do edifício ao Banco Itaú, atual proprietário do imóvel. As pessoas que deixavam o prédio para trabalhar eram impedidas de entrar novamente. Foi o caso de Francisca Batista. Ela contou que foi trabalhar e voltou por volta das 19 horas, quando foi barrada. ''Tive que dormir do lado de fora, na calçada mesmo'', relatou ela. Ela foi uma das 15 pessoas que ficaram do lado de fora do prédio por causa da ação policial. Francisca é de Foz do Iguaçu e mora em Curitiba há um ano. Ela contou que ganha salário mínimo e pagava aluguel de R$ 160,00. ''Não dava para me manter. Não tive alternativa. Não gosto desta situação'', disse.
O major Celso Melo, comandante da operação, garantiu que o clima no local era tranquilo. ''As pessoas aqui são pacatas. Elas vão sair pacificamente'', garantiu. O advogado do Banco Itaú, Antonio Tonelotto, passou a manhã no local. ''Temos um prazo que vai ser respeitado. Para onde eles vão é de responsabilidade da liderança do movimento'', alegou. O prédio deverá ser locado.
Schwertner deixou todas as malas e pertences dos integrantes do movimento prontos para serem retirados do prédio. ''Cinco minutos antes do prazo final estaremos deixando o prédio. Sonhamos ainda com uma proposta do Estado para que a gente leve as nossas famílias'', salientou ele. ''Caso contrário, encheremos a quadra inteira da principal rua de Curitiba de lonas pretas e famílias desalojadas'', ameaçava. Fazem parte do movimento cerca de 30 crianças. Até o final desta edição, as famílias que ocuparam o prédio do Banestado ainda não haviam deixado o local.


