Sem-Teto ocupam terreno público
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de abril de 1999
Érika Pelegrino 
Na noite de sexta-feira mais de 40 famílias ocuparam uma área pública próxima ao assentamento São Marcos, no Conjunto São Lourenço (zona sul de Londrina). Após uma reunião, os sem-teto decidiram entrar no terreno. Segundo um dos ocupantes, Marcos Cruz, estas pessoas são do próprio Conjunto São Lourenço. Muitas moram de favor e outras estão prestes a ser despejadas.
A maioria é desempregada e vive na casa de parentes ou amigos. Eu mesmo vivo de bico e moro de favor na casa de um conhecido, disse Marcos Cruz. Segundo ele, ontem de manhã, um pai de família chegou ao local transtornado porque está ameaçado de despejo. Ele se juntou a nós, conta Marcos Cruz.
Pessoas de bairros vizinhos que souberam da ocupação também chegaram ao local, na manhã de ontem. Foi o caso de Cícero Lopes dos Santos, 51 anos, que mora no Jardim Jatobá (zona sul), com uma filha e dois netos. Com renda familiar de um salário e meio, ele tem que pagar R$ 80,00 de aluguel.
É muito sofrimento, não dá. A gente morre e estes terrenos ficam aí, abandonados, desabafou. Segundo Marcos Cruz, primeiro seriam divididos os lotes para as pessoas que participaram da ocupação. Vou ficar por aqui esperando para ver se sobra uma datinha pra mim e pra minha família, disse Cícero dos Santos.
Durante toda a manhã de ontem os sem-teto trabalharam no terreno carpindo o mato e medindo a área para demarcar os lotes. Moradores do Conjunto São Lourenço foram até o local presenciar o trabalho e oferecer apoio. Para Raquel Spolon a área tem que ser ocupada mesmo.
Este terreno serve apenas para marginais usarem drogas e para enterrar animais mortos, afirmou. Com a ocupação pelo menos o terreno vai ser limpo e não servirá mais de esconderijo para marginais, complementou Raquel Spolon.
A intenção dos sem-terra é não desocupar a área em hipótese nenhuma. Segundo Marcos Cruz, eles irão aguardar um contato com o diretor-presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Assad Jananni. Queremos ficar aqui, se não pudermos a Cohab tem que arranjar outro local para nós, afirmou.
O diretor-presidente da Cohab-LD Assad Jananni disse à Folha que como se trata de terreno público, o procedimento é chamar a Polícia Militar para fazer a desocupação imediata e abrir inquérito policial. Ele afirmou ainda que pela nova política da companhia quem invade não terá direito à casa da Cohab. Não é verdade que as pessoas não têm onde morar. É só ir na Cohab que o problema está resolvido, garantiu. Marcos Cruz acusou ontem que entre as pessoas que participaram da ocupação têm muitas que esperam há mais de oito anos por uma casa da Cohab.


