Mais um terreno público foi invadido na zona norte de Londrina. Desta vez, 54 famílias ocuparam anteontem à noite uma área localizada na avenida Pedro Carrasco Alduan, no conjunto Parigot de Souza. A exemplo de outras invasões, os ocupantes alegam não ter dinheiro para pagar aluguel e garantem que irão ficar definitivamente no local.
A invasão, segundo os organizadores, estava sendo planejada há quatro meses. ‘‘Mas esperamos passar a eleição porque não queríamos que nenhum político se aproveitasse disso’’, alega Lindomar Sales, 20 anos, um dos líderes da ocupação.
Desempregado, Lindomar Sales é casado e conta que morava no Parigot de Souza e pagava um aluguel de R$ 120,00. Além dele, outras cinco famílias lideraram a invasão, que teve início anteontem, às 21 horas. ‘‘Outras pessoas souberam e resolveram ocupar o terreno também.’’
Para a invasão não virar bagunça, como Lindomar faz questão de frisar, eles começaram a demarcar os terrenos e a contar as famílias. Cada família, segundo Lindomar Sales, terá direito a um lote de 10 por 20 metros. Até ontem à tarde, os líderes da invasão haviam contado 54 famílias, sendo 270 crianças - a maioria delas veio da zona norte. Segundo ele, grande parte dos invasores está desempregada.
Apesar do terreno ser acidentado, ficar próximo a uma lagoa e a uma área utilizada como depósito de entulhos, os invasores garantem que o local é adequado para moradia. ‘‘Vamos cercar a lagoa para evitar que as crianças caiam nela’’, adianta o pedreiro Ademir Gabriel, 39 anos, que invadiu a área junto com a mulher e três filhos.
Sobre o lixão, onde as crianças costumam brincar, os invasores garantem que não oferece risco porque no local estaria depositado somente entulho. A água que as famílias utilizam para beber vem de uma mina localizada nos fundos do terreno. ‘‘A água é limpinha e acho que não vai trazer nenhum problema’’, acredita o pedreiro Ademir.
Ontem à tarde, as famílias estavam erguendo os barracos. O servente de pedreiro Otacílio Venâncio dos Santos, 32 anos, improvisou uma barraca de lona, mas explica que futuramente pretende construir uma de madeira. Ele morava com a mulher e três filhos nos fundos da casa da irmã, no jardim Alto da Boa Vista (zona norte).
A exemplo dos outros invasores, Otacílio dos Santos diz que participou da ocupação na esperança de conseguir uma casa própria. ‘‘Agora, esperamos que a Prefeitura nos ajude.’’
Uma mulher que não quis se identificar estava limpando uma área para a sua sobrinha, Rosimeire Alves de Carvalho, que mora no distrito de Guaravera (zona sul) ‘‘Ela tem dois filhos e precisa de um lugar para morar porque atualmente vive com a minha mãe, que não tem condições de cuidar de todos’’, justifica. Segundo a mulher, Rosimeire de Carvalho iria ontem mesmo para a área invadida.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Wilson Sella, diz que uma equipe está trabalhando para verificar de onde as famílias vieram e checar se há especuladores no meio delas - pessoas já contempladas com lotes ou que estão reservando a área para outras. ‘‘Nesse caso, vou pedir a instauração de inquérito policial.’’
Wilson Sella diz estar perplexo com as invasões que vêm ocorrendo. Segundo ele, nos últimos dez dias aconteceram três ocupações - outras duas foram nos jardins Santa Fé e Marabá (ambos na zona leste). ‘‘Não sei afirmar de quem é a responsabilidade, mas parece que a eleição criou uma animosidade.’’ Há pouco mais de um mês do término da atual administração, o presidente da Cohab diz poder fazer pouca coisa pelos invasores.

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