Milton DóriaMais uma vezFamílias invadem terreno no conjunto Vivi Xavier: local estaria sendo usado como depósito de entulhoCerca de 30 famílias invadiram ontem à noite uma área de terra no conjunto Vivi Xavier, zona norte de Londrina, entre as ruas David Nasser e Carmen Miranda. Os sem-teto, na maioria vindos da própria região, decidiram ocupar o lugar numa reunião feita no começo da noite.
Cada família reservou espaços de 10 por 8 metros. Eles delimitaram os terrenos com o que tinham nas mãos: lonas, cordas, troncos de árvores, arame farpado. Um dos sem-teto chegou ao local com caminhão basculante e estacionou o veículo onde pretende levantar o barraco. A maioria preferiu fazer uma fogueira para passar a noite.
As famílias não sabiam dizer exatamente a quem pertencia a terra ocupada - uns falavam que era da Prefeitura - nem o tamanho total da área. ‘‘A gente paga aluguel sem poder pagar. Está todo mundo tomando terra na Cidade e não acontece nada. Por isso decidimos entrar aqui’’, comentava o sem-teto Wilson Oliveira, que é casado e tem um filho.
O comentário geral no acampamento era de que a área servia apenas para depósito de entulhos, jogados pela própria Prefeitura de Londrina. ‘‘A gente sempre cuidou desse lugar, mas vinham os caminhões aqui e sujavam de novo. Agora a gente não sai mais do terreno’’, completou Wilson Oliveira.
Os sem-teto chegaram ao local com toda a família - muitas crianças permaneciam no acampamento. Jucélia Rodrigues, por exemplo, contou que não tinha mais como morar junto com a mãe e levou as duas filhas para o acampamento. Ela trabalha de doméstica mas o dinheiro não é suficiente para pagar o aluguel.
Esse era o mesmo problema de Andréia Aparecida Cândido, solteira, que está esperando o quarto filho. E também o de Cláudia Dias de Araújo, solteira, com três filhos. ‘‘Pretendo construir uma casa aqui para criar as minhas crianças’’, diz Andréia. As duas moravam com as mães, em situação precária.
A dificuldade em pagar os R$ 120,00 de aluguel também levou Marcos Aparecido, casado, três filhos, a experimentar a sorte no acampamento. Ele disse: ‘‘Deus me livre, não ganho isso não! Mas também nunca pensei nisso, em entrar num pedaço de terra. Só que todo mundo invade por aí e por que é que eu tenho que dar uma de bonzinho?’’
Marcos Aparecido diz que só sai do local se todo mundo sair junto. ‘‘Se não for assim não saio não’’, garantiu. Essa é a mesma posição de Luiz Carlos Nivime, que tem esposa, um filho e não tinha mais como pagar o aluguel de R$ 140,00. ‘‘Antes essa área ficava abandonada, era depósito de lixo. Então não saio.’’
A invasão da área chamou a atenção de todo o bairro e reuniu muitos curiosos, principalmente crianças. Uma moradora, que não quis se identificar, comentou: ‘‘No começo fiquei preocupada com a movimentação. Mas depois vi que era só gente daqui, querendo um pedaço de terra, então fiquei mais tranquila. Acho que eles estão certos’’.

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