Aproximadamente 40 famílias invadiram ontem o campo de futebol do Conjunto Maria Cecília, na zona norte de Londrina. Elas chegaram por volta das 6 horas da manhã e, aleatoriamente, foram ocupando o terreno e levantando os barracos de lona. Ontem, no final da tarde, o trabalho ainda era intenso. O quadro, entre eles, é de absoluta miséria. Os depoimentos são semelhantes. A reclamação é geral contra o desemprego, o preço alto dos produtos da cesta básica e também da falta de esperança em relação a melhora de vida.
Conforme depoimento de alguns invasores, a maioria deles morava nas imediações daquele conjunto onde pagavam aluguel ou viviam na casa de parentes. Era evidente que alguns estavam ali apenas para garantir um lote. Um dos ocupantes, que não quis se identificar, deixou escapar que já tinha ocupado uma data numa outra área. E comentou: ‘‘a vantagem é que aqui temos água e energia elétrica muito perto. Se as autoridades tiverem boa vontade fica fácil puxar água e luz’’, observa.
Pelo menos dois moradores do Maria Cecília estiveram ali reclamando que aquela era uma área coletiva do conjunto e não deveria ser ocupada por barracos. Mas os invasores contestam. Jorge Fernandes da Luz, que conhece a região há 19 anos, disse nunca ter visto nenhuma partida de futebol naquele terreno. ‘‘Esta área estava totalmente abandonada e só servia para jogar lixo e para crescimento desordenado do matagal. Ninguém tem o direito de reclamar porque agora esse campo terá uma função social’’, argumenta. Jorge disse que irá construir o barraco para morar ali com a esposa, Lidiane, e com a filha Rafaela, de 8 meses. Ele trabalha como vidraceiro e disse não ter perspectiva de comprar casa própria. ‘‘A ocupação é minha única esperança’’, afirma.
Luzia Rodrigues, que mora no Maria Cecília, mas ajudou uma irmã a ocupar um lote no campo de futebol, afirma que o local vinha servindo como ponto de encontro de viciados. ‘‘A nossa única preocupação é, a partir de amanhã (hoje), procurar a Cohab (Companhia de Habitação) para negociar a legalização dessas famílias. Sabemos que é um processo longo, mas vamos persistir’’, assegurou.
Denise Salgueiro Barbosa, seu marido e dois filhos foi uma das poucas que saiu de uma outra região de Londrina para ocupar o campo do Maria Cecília. Ela morava no Parque Manella e disse que não tinha condições de continuar pagando R$ 130,00 de aluguel.
Ontem à noite, o diretor-presidente da Cohab, Agnaldo Rosa, afirmou que a ocupação é uma ‘‘armação’’. ‘‘Eles querem criar um fato político para ver se a Cohab providencie água e energia. Mas nós não vamos fazer isso’’, avisou. ‘‘Vamos comunicar a prefeitura e a promotoria do Meio Ambiente, porque se trata de um fundo de vale’’.

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