Sem-teto ocupam área em S.J.Pinhais e são removidos pela Polícia Militar
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Albari RosaFamílias acamparam em frente à prefeitura à espera de uma soluçãoInconformadas com os incentivos fiscais dados às montadoras que estão se instalando na Região Metropolitana de Curitiba, 230 famílias de sem-teto ocuparam ontem uma área em São José dos Pinhais destinada à transferência das famílias que vivem no local onde está sendo construído o canal extravasor do Rio Iguaçu.
O acampamento começou a ser montado à meia-noite, mas a Polícia Militar obrigou à desocupação às cinco horas da manhã. Segundo o coordenador dos manifestantes, Márcio Sales, a polícia ameaçou agredir as famílias e deu 20 minutos para que todos se retirassem. Para evitar um confronto viemos para a frente da prefeitura, contou.
Num espaço de aproximadamente 100 metros de calçada, cerca de 50 famílias se instalaram embaixo de plásticos pretos. Policiais do 17º Batalhão da Polícia Militar isolaram uma pista da rua e ficaram o tempo todo no local.
Não temos a intenção de sair daqui sem uma solução para o nosso problema de moradia. É impossível viver pagando aluguel, disse a operária Maria de Jesus Cadeno. Ela paga R$ 70,00 de aluguel e ganha R$ 112,00. A situação da aposentada Maria Luiza Inácia Rodrigues, de 77 anos, é ainda pior. Ela mora no bairro São Pedro e, dos R$ 120,00 que recebe, paga R$ 110,00 de aluguel.
Depois de várias tentativas, os líderes do movimento conseguiram ser recebidos pelo prefeito de São José dos Pinhais, Luiz Carlos Setim. A audiência começou às 10h e só terminou depois que o prefeito concordou em convocar representantes da Cohab e da Comec. Márcio Sales confirmou que o secretário especial de Política Habitacional, Rafael Dely, acenou no final da tarde com a proposta de criação de vilas rurais. Nossa vocação é urbana, rebateu Sales, mas continuamos negociando.
A área ocupada pertence à Comec e estaria destinada ao assentamento de 356 famílias que moram numa área onde está sendo construído o canal extravasor - obra do governo do Estado para evitar enchentes do Rio Iguaçu.
Não temos mais áreas em São José dos Pinhais para esses assentamentos. A lista de cadastrados para receber um lote tem 5 mil pessoas e a programação para este ano é assentar 500 famílias. Até o fim da gestão pretendemos atender todos, adiantou Setim.
Num manifesto entregue à população de São José dos Pinhais, os sem-teto afirmam que o governo do Estado fez uma doação de uma área de 2,5 milhões de metros quadrados para a multinacional Renault. Enquanto isso, milhares de famílias são obrigadas a escolher onde gastar o pouco dinheiro que possuem: ou pagam o aluguel ou colocam comida dentro de suas casas.
Ontem a Polícia Militar estava preocupada com a possibilidade de invasão dos terrenos onde serão construídas as fábricas da Renault e da Audi, ambos em São José dos Pinhais. Até o final da tarde, no entanto, não havia sinal de qualquer tipo de invasão nesses locais.


