Dimitri do Valle
De Curitiba
Cerca de 150 famílias sem-teto estão acampadas desde a noite de sexta-feira num terreno localizado ao lado do Parque da Barreirinha, em Curitiba. O coordenador da invasão, Miguel Arly dos Santos, 42 anos, informou que todos os participantes da ação estavam desempregados e sem condições de continuar pagando aluguel para morar na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
O terreno particular, que mede 1,5 alqueire, teria sido repassado por uma empresa em regime de comodato para o Lar Bom Pastor, uma entidade filantrópica de apoio a famílias carentes. Até a noite de ontem, o Setor de Fiscalização da Prefeitura de Curitiba não tinha localizado o verdadeiro proprietário da área. Fiscais chegaram a ir até o local para conversar com os sem-teto.
Segundo Santos, os moradores que residem nas imediações da área invadida informaram que o terreno estava ‘‘ocioso’’ há cerca de 30 anos. O líder dos sem-teto disse que um homem chegou a ir até o local na manhã de ontem para informar que as famílias deveriam deixar a área. ‘‘Ele disse que era um oficial de Justiça e que tinha um mandado de reintegração de posse’’, contou. No entanto, o suposto oficial se negou a mostrar o documento para o coordenador.
Proposta de compra - Os sem-teto iniciaram ontem a demarcação dos lotes. Eles pedem a presença do proprietário para negociar a venda da área. ‘‘Todo mundo está disposto a pagar. Queremos permanecer por aqui’’, disse Santos. O terreno está localizado no final da Rua Irmã Antólia e fica na encosta de um morro. Os sem-teto estão abrigados em pequenas barracas feitas com galhos de árvore e lona.
Moradores das ruas próximas à invasão forneceram água para os novos vizinhos. Pelo menos 86 crianças estão no terreno. A comida está sendo preparada em fogueiras. O líder da invasão fez um apelo para que a Secretaria de Estado da Segurança Pública não mandasse a polícia para retirar os invasores do local. Ele disse que enquanto o terreno esteve abandonado, serviu apenas de refúgio de marginais que também utilizavam a área como ponto de venda de drogas.Área particular, que mede 1,5 alqueire, foi ocupada por cerca de 150 famílias na noite de sexta-feira. Invasores querem comprar lote
Kraw PenasNecessidadeSem-teto alegam que ocuparam o terreno porque estão desempregados e sem dinheiro para continuar pagando aluguel

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