Marcos BorgesMais umaCerca de 50 famílias ocupavam ontem terreno na zona norte, apesar da oposição dos moradores da regiãoUma invasão de terra, na noite de sexta-feira, acabou resultando em briga entre os invasores e moradores dos Conjuntos Parigot II e José Giordano (zona norte). Ninguém saiu ferido, apesar de muitos afirmarem terem ouvido disparos de revólver nas proximidades. Os invasores permanecem no local e os ânimos continuam acirrados.
A ocupação não foi aceita pelos moradores dos conjuntos próximos. A comissão formada pelas famílias que invadiram a área garante que ninguém quer atrito, mas deixa claro que as famílias não vão sair do local.
A área invadida fica nos fundos do Conjunto José Giordano e entre os Conjuntos Parigot II e Chefe Newton. O problema mais grave que as famílias irão enfrentar, no entanto, não é a oposição dos moradores. A área escolhida para a invasão é fundo de vale, e parte dela é destinada a serviços públicos (praça, creche), o que inviabiliza a legalização de qualquer ocupação para moradia.
Ontem de manhã mais de 50 famílias de várias regiões da cidade ocupavam a área. Os lotes já tinham começado a ser demarcados e o mato estava sendo queimado para abrir novas clareiras para possibilitar a demarcação dos lotes. Até ontem de manhã, a comissão não tinha o cálculo de quantos lotes o terreno ocupado comporta, mas antecipava que o número de famílias deveria aumentar até o final da noite de ontem.
‘‘Nós temos direito a ter um teto em cima da cabeça de nossos filhos. Aqui só tem trabalhador, não tem bandido não ’, afirma um dos membros da comissão de sem-teto, Jefferson Carlos de Deus. Ele argumenta que as famílias que ocuparam a área não podem mais continuar pagando aluguel. ‘‘A maioria ganha salário mínimo e tem de escolher entre alimentar os filhos e pagar o aluguel. A gente não tinha outra opção’’, garante.
Esperar pela ação do poder público, diz Jefferson de Deus, também não resolveu o problema das famílias. Ele conta que grande parte das pessoas que estão na ocupação estão inscritas na Companhia de Habitação ( Cohab) de Londrina há vários anos esperando por uma casa e ainda não conseguiram ser atendidas.
Na segunda-feira, a comissão pretende ir até a prefeitura falar com o prefeito para ‘‘legalizar’’ a ocupação. Belinati vai receber também a visita de representantes dos moradores do Conjunto José Giordano, cobrando da prefeitura uma postura definitiva contra a invasão.

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