Sem-teto invadem áreas em Londrina
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domingo, 03 de maio de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A galinhada que fervia apetitosa na grande panela comunitária prometia alimentar ontem todas as bocas das 19 famílias que na última sexta-feira invadiram uma área pública na Rua Flor de Jesus, entre os bairros Interlagos, San Rafael e Vila Ricardo, na Zona Leste de Londrina. Poucos metros adiante, outro grupo de cerca de 50 famílias começava a erguer os primeiros barracos em um terreno particular. No início da noite, uma outra área pública foi ocupada na mesma região. A Associação dos Assentamentos de Londrina informou que as invasões seriam uma forma de fazer a administração recém-empossada se sensibilizar com a causa dos sem-teto e agilizar uma solução.
A representante das famílias (aproximadamente 80 pessoas) que ocuparam a área da prefeitura, Mônica Brito Santos, argumentou que o imóvel estava abandonado e cheio de lixo. ''Daqui a gente não vai sair para pagar aluguel de novo. Isso não dá, ainda mais com criança pequena em casa como é o meu caso e de muitas outras famílias'', disse. Ela afirmou que um funcionário da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) cadastrou as famílias e recebeu a garantia de que mais ninguém seria alojado no local.
Dona Ivaineide Brito foi para a área com o marido e cinco filhos porque já não conseguia mais bancar uma casa alugada. ''Meu marido é metalúrgico mas a firma está com problemas e o que ele ganha mal dava para pagar o aluguel. Ou a gente comia ou pagava as contas'', apontou. A doméstica Greicejane Francisco lembrou que ali não havia nenhum favelado e que todos tinham decidido engrossar a invasão por total falta de opção. ''Todo mundo é trabalhador e estamos fazendo isso porque precisamos'', falou, garantindo que todos querem pagar pelo pedaço de terra.
A poucos metros de distância, outras famílias limpavam uma área particular invadida no sábado para erguer os primeiros barracos. Já havia uma lista de espera com 20 nomes. O vice-presidente da Associação dos Assentamentos de Londrina, Oswaldo Martins de Melo, comentou que há 11 anos o local foi invadido e as famílias acabaram indo para o São Jorge (Zona Norte). ''Agora ninguém vai sair.'' No início da noite, ele informou que mais 15 famílias teriam invadido uma outra área pública nas proximidades das duas invasões.
Melo afirmou que a expectativa é que as invasões apressem a cessão de áreas para famílias carentes, principalmente agora após a posse do prefeito Barbosa Neto (PDT). ''Esperamos muito dele, que foi eleito com o apoio dos mais pobres. O povo está apostando que ele vai negociar e achar uma solução'', comentou a liderança.


