Sem-teto ganham 2 mil brinquedos
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quinta-feira, 25 de dezembro de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Mário CésarNatal garantidoNaiara, três anos, com os brinquedos recebidos: pai desempregado e ajuda de parentes para sobreviver Dois mil brinquedos usados fizeram a alegria ontem de centenas de crianças, moradoras do Jardim Olímpico, o maior assentamento de sem-teto de Londrina, na zona oeste da Cidade. A distribuição foi organizada pelas lideranças do bairro e os brinquedos foram repassados pelo Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) através da campanha O Natal Que a Gente Faz. Para muitas das crianças, estes brinquedos serão os únicos presentes do Natal.
A distribuição começou por volta das 11 horas, mas desde as 9 horas muitas mulheres e crianças faziam fila perto do Centro Comunitário do Olímpico para pegar a senha e aguardar cerca de duas horas, enfrentando grande calor, para depois pegar o presente.
Aroldo Costa, 41 anos, um dos organizadores da distribuição, conta que o Provopar de Londrina doou dois mil brinquedos para o pessoal do Olímpico. Até às 10 horas de ontem já haviam sido cadastradas 933 crianças. Mas muitas famílias ainda esperavam para pegar a senha. Adriana Souza Correia, 10 anos, estava na fila na esperança de ganhar um ursinho de pelúcia. Ainda não ganhei nada, comentou a menina. E a mãe, a dona-de-casa Edna Souza Correia, 35 anos, admitiu que a família não tem dinheiro para comprar outra coisa.
Eliete Francisco dos Santos, 23 anos, saiu do Centro Comunitário com duas bolas e dois ursinhos de pelúcia para os três filhos (dois meninos e uma menina) e para uma sobrinha. Ela foi uma das primeiras moradoras a pegar a senha e diz que valeu a pena esperar duas horas pelos brinquedos. Naiara, de três anos, não largava os brinquedos. A mãe diz que este ano não haverá um almoço especial de Natal. Segundo Eliete, o marido está desempregado e há muitos meses eles vivem da ajuda de parentes, amigos ou entidades beneficentes.
Maria de Fátima Marcos, 27 anos, enfrentou o forte calor da fila junto com as duas filhas: Elisângela, 5 anos, e Gabriela, de apenas um mês. Quero ganhar uma bola e um relógio, anunciava Elisângela. O Natal este ano está triste. A gente tem passado muitas dificuldades, conta Maria de Fátima, casada com um servente de pedreiro. Espero que o ano que vem seja melhor.
Um joguinho de futebol foi o primeiro presente recebido pelo garoto Leandro, 4 anos, neste Natal. A mãe dele, Deusani Guedes Araújo, foi ao Centro Comunitário buscar brinquedos para o filho e três netos. Ela diz que tem motivo para comemorar o Natal de 97. Para mim está bom. Graças a Deus está todo mundo bem, com saúde. Na opinião dela, a doação de brinquedos, mesmo usados, é importante: Para criança, tudo é festa.


